
Era uma vez uma festa chamada 'Enterro da Gata'. Era a maior e mais esperada festa do ano pelos estudantes minhotos. Era a semana em que se podia 'enterrar' tudo e desfrutar ao máximo de um espírito académico que aqui se acentuava mais que nunca e que sabia a único...(até porque em mais nenhuma academia se enterra uma gata!)
Os estudantes iam em massa, orgulhosos com os seus pólos/casacos de curso, preparados para a chuva, a lama, a cerveja e qualquer outro tipo de inconveniente que pudesse surgir. Aos finalistas, além do pólo/casaco, não faltavam as insígnias, que facilmente os identificavam, de forma a que qualquer colega de academia os pudesse felicitar com umas bengaladas.
O espírito era de camaradagem, de paz e amor, de orgulho pela academia, de liberdade e de 'vale (quase) tudo' para comemorar o enterro da bichana... O verdadeiro académico marcava presença todos os dias, independentemente do estado do estômago, da cabeça ou do fígado, corria todas as tendas, fazia amigos em qualquer parte e ficava até de manhã, à espera da ordem dos seguranças para abandonar o recinto, sem nunca se esquecer de gozar tudo ao máximo...
Os anos passam, as coisas mudam e, aparentemente, o espírito académico também. Claro que é difícil manter o espírito académico (e a resistência física) quando já não se é estudante e, principalmente, no fim de um dia de trabalho. A camaradagem e o peace & love dão lugar à nostalgia e o 'vale tudo' dá lugar à contenção, em grande parte imposta pelo cansaço. O pessoal em volta já não é conhecido e os pólos de curso e as calças sujas que caracterizavam a esmagadora maioria dão lugar a mini-saias, legins, e saltos altos. Quanto às insígnias: contam-se pelos dedos de uma mão! Aquela que outrora era uma das noites mais concorridas pelos académicos, a noite do Quim (!), pelos vistos já não atrai assim tanta gente, nem provoca tanta euforia...ouvem-se menos gritos, menos palmas pelo Minho e pela academia. Parece que, afinal, o que está a ser enterrado é o espírito e a tradição académica...

