Este fim-de-semana tive o desprazer de estabelecer contacto com uma espécie que eu julgava extinta - o homofóbico na casa dos 20 anos. Ser homofóbico na casa dos 40/ 50 anos é triste, é igualmente revoltante, mas até dá para perceber que seja difícil encarar e compreender uma realidade que há uns anos atrás era quase um mito na nossa sociedade... Quando se trata de um jovem universitário, com informação, que provavelmente até tem contacto com homossexuais, e de quem se espera uma abertura de espírito natural a alguém que cresceu na era da liberdade de expressão, é incompreensível, intolerável e quase impossível de descrever. Como o direito à liberdade de expressão a que me referi atrás não me permitiu "saltar ao pescoço" da infeliz criatura, resta-me apenas lamentar que ainda hajam pessoas tão limitadas e incapazes de ver além da sua própria realidade, e reafirmar aqui a minha "preconceito-fobia".
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
"Preconceito-fobia"
Este fim-de-semana tive o desprazer de estabelecer contacto com uma espécie que eu julgava extinta - o homofóbico na casa dos 20 anos. Ser homofóbico na casa dos 40/ 50 anos é triste, é igualmente revoltante, mas até dá para perceber que seja difícil encarar e compreender uma realidade que há uns anos atrás era quase um mito na nossa sociedade... Quando se trata de um jovem universitário, com informação, que provavelmente até tem contacto com homossexuais, e de quem se espera uma abertura de espírito natural a alguém que cresceu na era da liberdade de expressão, é incompreensível, intolerável e quase impossível de descrever. Como o direito à liberdade de expressão a que me referi atrás não me permitiu "saltar ao pescoço" da infeliz criatura, resta-me apenas lamentar que ainda hajam pessoas tão limitadas e incapazes de ver além da sua própria realidade, e reafirmar aqui a minha "preconceito-fobia".
domingo, 22 de novembro de 2009
Amarga Traição

Dedicar um post sobre este tema não servirá de incentivo ou consolo para quem possa vir a cometer ou sofrer este tipo de evento. Parece-me claro que num primeiro momento, diríamos todos que se trata de um acto reprovável. Mas apesar de sabermos e termos o cuidado para que nada disso aconteça, por vezes, não se consegue resistir! Existem diversas teorizações acerca da ocorrência deste fenómeno, alguns alegam que para o facto disto acontecer o indivíduo não se encontra satisfeito com a relação, outras que referem que parte da necessidade de “experimentarem” e “viverem” outras pessoas, sendo por isso que surge geralmente sob a forma inesperada e incontrolável. Independentemente das razões, este tipo de ocorrências coloca, geralmente, termo às relações actuais e, estranhamente, noutras reforça-as ou passa-se simplesmente uma borracha! Será o modo mais adequado para lidar com isto? É obvio que uma pessoa traída terá sempre em pensamento que tudo poderá voltar a acontecer ou até com maior frequência por ter havido uma atitude de complacência (que pode ser visto como uma autorização para repetir o feito). Noutros casos podem mesmo verificar-se pensamentos optimistas tentando esquecer e “bola para frente”! Apesar de tudo o que possa ser dito, dos conselhos ou julgamentos que possamos fazer sobre isto, tenhamos passado ou não por elas, não me parece existir uma resposta ou forma certa de lidar com isto. É sem dúvida um cataclismo emocional, tudo o que conhecemos e vivemos é questionado e nada mais parece ter valor. Presenciei isto há pouco tempo com uma amiga próxima que foi traída “duplamente”e perdoou. Será preciso gostar extremamente da pessoa ou ser-se emocionalmente muito fria para encarar estas coisas como passageiras? Possivelmente, poderemos escolher umas das duas que servirão certamente para muitos e para outras serão completamente descabidas. Como disse, cada um pensa e age por si. A traição dupla seria uma traição descoberta por acaso, após algum tempo da sua ocorrência. Vejo-a como uma “dupla” traição por ter sido feito tudo para a esconder, foi um comportamento totalmente deliberado e consciente. Apesar de tudo, e talvez por já se tratar de uma relação de sete anos, esta viria a durar mais um ano, tendo então terminado por desconforto. Apesar de todo o sofrimento que possa ter sido causado e sentido, a verdade é que descomprometidamente continuam a encontrarem-se (envolvendo-se com tudo o que é típico num casal) de forma dissimulada e mais esporadicamente do que na relação que mantinham. Será este “saciar de saudades” saudável? Não irá piorar as coisas? Afinal de contas eles deveriam separar-se como casal, podendo continuar como bons amigos mas saberem delimitar fronteiras. Parece ser mais difícil do que isso. Mas mais do que nunca ele é menos dela, há grande probabilidade de apenas lhe dar um dividendo de si, estando envolvido noutras relações. A forma mais digna teria sido acabarem de uma forma seca e definitiva ou então nunca tê-lo feito. Visto ainda existirem sentimentos, saudades daquilo que se viveu, também devemos ter presente que poderá ocorrer o retorno da relação (feliz ou infelizmente). Se isto acontecer vão ficar ainda mais dúvidas acerca daquilo que possa ter ocorrido durante o período de afastamento, não se podendo reivindicar qualquer fidelidade do mesmo.
A Cruz de Saramago

A minha avó, beata convicta, costuma dizer que toda gente carrega uma cruz... E parece que Saramago, como qualquer ateu no nosso país, carrega a dele ao assumir-se como tal. E ao publicar um livro que põe em causa, critica e, segundo consta (ainda não o li), até ofende a religião e fé cristã, ele está a ser crucificado pela comunidade católica!
Eu nunca li a Bíblia, por isso não tenho como criticar, mas também fui educada como católica e só mesmo quem não quer, ou tem medo de 'desafiar' uma realidade construída e baseada numa série de valores e tradições sem sentido, é que não vê a falta de coerência e a hipocrisia que rondam esta instituição! Pior ainda! as pessoas continuam a não conseguir distinguir a fé, a espiritualidade e um eventual ser divino, daquilo que é obra humana, cheia de erros e "pecados" à nossa imagem! A cegueira é tal que pessoas como a minha mãe (que até tem algum bom senso e não leva a religião tão a sério como a maioria da família) preferem acreditar nas historinhas de Adão e Eva e até num paraíso que "dizem que existe mesmo na Terra!", do que nas evidências cientificas que demonstram que o homem descende (de 'parentes') do macaco. E depois, tudo que acontece de bom, é obra do Deus misericordioso; o que acontece de mal, é castigo de Deus!
Ter um filho homossexual, é castigo de Deus! No entanto, Deus ama todos os seus filhos por igual... E apesar Dele ser 'omnipotente', estes "filhos" escaparam ao seu poder, estão a desviar-se da sua natureza, estão a pecar! Por isso não podem fazer parte da Igreja católica... Apesar da sexualidade não ser um factor relevante para os seus membros, visto que eles fazem votos de castidade. Deus terá dito 'amai-vos e multiplicai-vos', mas os que o representam não podem contribuir para esta multiplicação...e "multiplicar" antes do casamento é pecado! É mais pecado ainda para a mulher! Aliás, uma mulher já está a pecar pelo simples facto de se mostrar, porque está a levar o homem a ter maus pensamentos. Ser rico também é pecado. Não importa se uma pessoa trabalhou a vida toda para conseguir a sua riqueza, "é mais fácil um camelo passar por uma agulha, do que entrar um rico no céu" - frase apregoada pelos membros da Instituição mais rica do mundo. Senão, reparemos nos acessórios "prada" e "gucci" usados pelo 'santo padre', representante máximo da Igreja católica.
Mas tudo isto parece muito natural aos olhos da comunidade católica...até porque foram 'treinados' a aceitar tudo que é católico sem questionar ou contestar. Parece que têm medo de pôr em causa o seu lugar no céu. E foi graças a este medo, um medo tão natural de quem ainda não conseguiu descobrir como é que viemos aqui parar ou qual é de facto o nosso destino, que a Igreja afirmou o seu poder ao longo dos séculos; o medo de questionar ou ofender os ensinamentos Daquele que a Igreja descreve da forma que melhor lhe convém - um Deus que castiga os seus filhos, que atribui uma cruz a cada um, como se tivéssemos que ser infelizes para provar que somos merecedores de um lugar num céu que ninguém sabe se existe.
É verdade que Saramago "exagerou" (termo utilizado pelo próprio) quando entrou no campo das ofensas (verbais), mas a Igreja já cometeu erros e ofensas tão mais graves, porque é que as pessoas não olham mais a isso?
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Idealismo

É tipicamente humano estar sempre a queixar-se de tudo, que tudo poderia ser melhor, de que nada lhe corre como deve ser ou que nunca mais se consegue atingir um determinado objectivo. É a busca por aquilo que idealizamos, a ansiedade de querermos tudo criteriosamente como concebemos que nos stressa, decepciona, cansa. Não seria tão mais fácil esperar ou viver simplesmente o que já temos? Não se trataria de uma atitude de desistência mas antes a simples constatação de que nada irá mudar brevemente, e que nenhum esforço desmedido poderá contrariar isso, que a nossa vontade não pode fazer o impossível. Não pretendo ser um moralista sisudo que encara o mundo como hostil. É talvez a espera constante que tenho entre cafés, à espera que tudo mude, que me obriga a viver de um modo real, de que nada mudará pelo simples desejo. Embora todos os dias acorde desejando que algumas coisas sejam diferentes, acabo de imediato por desistir e viver o que tenho. Não basta querermos, é necessário um conjunto probabilístico de circunstâncias se juntarem para podermos ter felizes acasos como o de sermos promovidos, congratulados ou mudarmos outro aspecto relevante das nossas vidas. Mas esse tipo de insatisfação tem muitas vezes a sua etiologia, precisamente por querermos todos o mesmo, conseguirmos um emprego bem remunerado, boas condições de alojamento e outros luxos pelos quais lutamos diariamente. É uma competitividade crescente que se vai instalando num meio cada vez mais caótico, de crise, de intolerância uns pelos outros. Tudo isto, porque queremos sempre e sempre mais, porque não ficamos pelo meio termo, porque não nos contentamos.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Contentamento descontente

Nem sempre acordamos da melhor forma ou jeito. Mesmo sem termos tido pesadelos ou uma noite acompanhada pela insónia, simplesmente acordamos assim, estranhamente por obra do acaso. Parece que tudo está imperfeito, tudo nos chateia, incomoda. Sendo precisamente no início do dia repreensível que entramos num ciclo de agravamento do humor, onde memórias ou assuntos stressantes nos vêem à mente e ainda pioramos. É como se todos os nossos problemas se juntassem para um café, fazendo-nos lembrar daquilo que ainda temos para pagar, gastar ou da vida descontente que possamos ter, ou de outros aspectos menos satisfatórios. São aqueles dias que ocasionalmente desgostamos, acarretando com a nossa própria frieza, indiferença de um estado letárgico. Pois é, todos temos desses dias que ocorrem cerca de 2 a 3 vezes por ano (para mim). Hoje é um desses dias “especiais”. Dada a sua frequência anual, resolvi aproveitar e escrever sobre isto e não me parece estar a correr muito bem (ora aí está o sentimento de agravamento). Parece que ninguém ou nada nos pode tirar do sentimento consternante, apenas nós nos satisfazemos egoisticamente com pensamentos menos graves. Macabramente adianto adorar estes dias por sentir também um misto de ironia e sarcasmo próprio em que todas as variáveis, “se isto…..se aquilo”, começam a questionar-me como seria se determinado evento se tivesse realizado ou se não tivesse ficado pelo planeamento ou mera possibilidade. A minha última variável ou devo considerar hipótese? Foi questionar-me acerca do que estaria precisamente a fazer se me tivesse saído mais um número no euromilhões. Bem, provavelmente estaria a escolher um apartamento na zona de Braga para dar algum aceleramento na minha integridade relacional (parâmetro vital). Mas não foi desta, terei de esperar pelo próximo sorteio de sexta (vejamos como o sentido de humor perdura apesar da frustração incontestável). Este tipo de raciocínio e muitos outros “se” levam-nos a concluir uma conjectura que há muito partilho comigo: a vida não é mais do que um conjunto vasto de probabilidades. Tudo o que fazemos ou dizemos tem repercussões próprias, por isso, dependendo das nossas acções (numa instância inicial) o produto desta “equação consequencial” poderá ser distinto. Apesar deste sofrimento todo durante grande parte do dia, tiramos outra conclusão de relevo considerável que nos faz sair do estado de embotamento emocional que, apesar de tudo, poderia ser pior. É neste momento que pensamos noutros “se” de conotação negativista e nos apercebemos da vida pacata que temos.
Estupidez por medo e vergonha

Acho que nos acontece frequentemente procurarmos estacionamento e sermos abordados por “arrumadores” (emprego fictício e injustificado) que mesmo sem nos ter dado directriz alguma, nos vêem pedir uma moedinha. Aqui reside uma particularidade minha, não sei se me devo enquadrar entre os bipolares mas, na verdade, tanto depressa sinto pena deles e lhes dou contribuições generosas tendo em conta o “não feito” deles ou então fujo a sete ventos, não estacionando em lugar algum entre meia dúzia de lugares vazios (de um parque sem pagamento) e estaciono num lugar onde é explicitamente proibido fazê-lo (sugerido pela minha namorada que não viu as indicações de certeza). Passado um ano e um mês após a minha primeira e última contra-ordenação por estacionamento em linha amarela, continuo a arriscar-me num dos meus surtos de mesquinhez e repugnância destes indivíduos que são cada vez mais. É obvio que era mais lógico dar o que tinha nos bolsos do que presentear a Direcção Geral de Viação com mais 25€. É importante referir que enquanto escrevia este post me auto-consciencializei, apercebendo-me do quão custoso me é ganhar essa quantia, então decidi correr até ao meu automóvel e removê-lo dali para estacioná-lo devidamente. E agora, para justiça do arrumador, posso argumentar que mais me valia ter esvaziado os bolsos do que ter percorrido mais 4 quilómetros à procura de um estacionamento gratuito, sem pedinte e sem proibições (despendendo mais em combustível do que aquilo que lhe poderia ter dado). Parece-me evidente que durante os meus primeiros tempos de condutor aprendi a dar pelo medo condicionado de que “os arrumadores vingam-se e riscam o carro se não lhe dermos nada” e claro que, quando se gosta e estima o próprio carro, qualquer risco é um desalento. Ao fim de algum tempo e dinheiro investido no apaziguamento da ressaca ou da necessidade de álcool barato e pão para estes licenciados em “Organização Parquimental” (coitados já não apanharam Bolonha), comecei a dar por pena, vendo-me a correr atrás deles para lhes dar o contributo que de boa fé fazia-me acreditar que fosse para a sopinha do dia. Descobri recentemente que os meus surtos de desprezo profundo, por estes operários, (alguns já pertencentes ao quadro efectivo) se davam precisamente nos estacionamentos pagos! Ora aí está, se já é incómodo pagar uma vez, ainda mais será fazê-lo duas vezes! Confesso que cada vez mais penso que me compensa juntar-me neste labuto enfadonho que nos obriga a trabalhar cerca de 10 a 12 horas diárias em pé, sempre de um lado para o outro, atentos à demarcação do nosso território laboral para chegarmos no final do dia com cerca de 25 a 30€. Temos de encarar a realidade, nem todos os dias são bons dias, ou porque chove ou porque o pessoal resolveu ficar em casa e não aparece ninguém para que um gajo diga: “benha benha, pó lado, mais um cadinho, tá bô, podes deixar”……e no fim “oia uma moedinha pá comer, que não comi nadinha hoje”. Além desses dias onde só conseguimos uns 15€, temos de contabilizar o preço dos consumíveis que claro dependendo do local onde os podemos arranjar, podem variar dentro de um espectro alargado, há que saber “marralhar” e fazer o negócio! Mas o que é barato é de desconfiar, pode ser produto de quinta cheia de tóxicos que nos fazem mal. Sim, porque o produto se for bom e 100% não nos faz mal! Posto isto, esta porra é complicada, somos mal vistos porque não investimos na nossa aparência (isto porque somos humildes), então as pessoas não pagam justamente os nossos serviços que noutros países da UE são bem mais caros mas isso porque também não há tanta concorrência lá e porque o pessoal segue áreas diferentes! Acho que o país fez bem em apostar nesta área “parquimental”, porque o povo português é um povo com pouco sentido de orientação e um bocadinho pó ceguinho, então é no nosso generoso empenho que fazemos o que melhor sabemos, chatear, enjoar e sacar dinheiro às pessoas. Vendo bem as coisas, estamos a lutar pela sobrevivência, a dar o litro diariamente, domingos e feriados repetindo sempre as mesmas e fatídicas palavras para tirarmos uns 500 a 600€ por mês, levando com condições precárias e não declaradas, não nos assegurando qualquer bonificação na aposentadoria. E é por isso que somos uns infelizes, desdentados, malcheirosos e cheio de parasitas. Os parasitas são opção nossa, por sermos poupados e nunca sabermos a que extremo a nossa fome pode chegar!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Educação precisa-se!

Tenho vindo a referir em posts anteriores que a juventude actual não se distingue, na sua essência, da de outrora. Porém, alguns aspectos mais supérfluos são notoriamente distintos. Sim, a cultura é diferente, a informação é mais vasta, e há facilitismo para tudo. Mas tudo deveria ter a sua norma! Tudo deveria ser moderado e , por vezes, colmata naquilo que se torna comodismo excessivo. Tenho vindo a observar uma certa desresponsabilização dos próprios comportamentos juvenis. A nota negativa de um teste pode ser, consequência da complexidade própria da matéria que delimita ou de práticas incorrectas ou mesmo de nenhum estudo (geralmente “camuflado”). É-lhe tão mais fácil ter como principal passatempo o PC que tudo lhes oferece, desde de divertimento (principalmente), e, pouco conhecimento, paradoxalmente. Este regalo proporciona-lhes uma distracção que se ainda não é, nalguns casos, se torna quase compulsiva, podendo desenvolver consequências nefastas: não exercitação das dinâmicas grupais (familiares e grupos de pares) ao estado de embotamento sobre a própria realidade que os circunde, e outros fenómenos como a obesidade. Assim sendo, MacDonald (e outras cadeias de comida rápida) e o sedentarismo, que lhes são fácil e comodamente gozados, constituem as principais armas de arremesso .
É aqui que uma educação preocupada, por parte dos pais e das instituições educacionais, assume um papel preponderante. Deve procurar-se um meio termo, um equilíbrio entre a escassez e o exagero de mimo tecnológico e alimentar. Deve fomentar-se o gosto por uma alimentação saudável com todos os seus benefícios; pelo conhecimento e pelas formas de conhecer; e pelo principal moderador de uma sociedade propensa ao caos, o respeito.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Unissexo

Tipicamente, assistimos a jogos que procuram testar diferenças entre géneros, para além das diferenças físicas existentes entre homem e mulher. É óbvio que existem dissemelhanças comportamentais, mas não devemos cultivar o gosto pelo seu agravamento. À semelhança de outras sociedades, a portuguesa caracteriza o homem como alguém mais frio, rude, determinado, seguro de si, violento, casmurro, pouco flexível; sendo que as mulheres são vistas como dóceis, originais, dedicadas, organizadas, etc. Parece-me que esta caracterização está prestes a entrar em desuso através de um processo, que me dou à liberdade de intitular, de uniformização (dos géneros).
Estas caracterizações ortodoxas, são o reflexo das profissões e actividades que tipicamente são desenvolvidas pelo homem ou mulher. Os homens são conhecidos pelos seus trabalhos forçados e por chegarem cansadíssimos a casa. Por sua vez, as mulheres são “chantageadas” pela sua labuta menos forçada, podendo desenvolver as demais tarefas domésticas. Creio que é necessário desmistificar esta visão errónea. Ser-se homem ou mulher não deve constituir estatuto ou vantagem à nascença. Mas, graças ao apelo de investigadores e fruto de uma boa formação, o “machismo” ou retrato feminino exagerado e o gosto pela diferença vão sucumbindo, verificando-se o início de uma uniformização entre géneros.
Parece-nos óbvio, banal e normal que estas conceptualizações existam desde dos primórdios, onde o homem primitivo caçava e a mulher cuidava da descendência, das peles e de outras tarefas descartadas pelo desinteresse masculino. Para descanso meu, vou constatando um factor de desenvolvimento, um padrão de uniformização que vai aniquilando diferenças estereotipadas, começando por uma educação em regime misto, roupas semelhantes, estilo de penteados idênticos, interesses comuns e mais. Não significa que os homens estejam a ficar ”panascas” ou a perder a sua masculinidade, simplesmente vão vestindo o “rosa”, despedindo-se do preconceito e da diferenciação infundamentada. Feliz por ser homem, feliz por não ter embrenhado no exagero.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Sabor da Juventude

Tendenciosamente, olhamos para a nossa juventude com um sentimento nostálgico comparando-a com os novos moços e moças que passam por nós na sua algazarra denunciante. E, é então que emitimos para nós mesmos ou para os nossos: “Txi que deprimente, não éramos assim!”. Mentira!!! Jovens todos fomos, uns mais, outros menos efusivos nas emoções de euforia ou depressivas que deflagram nos felizes anos que antecedem a adultez.
Independentemente da década em que possamos ter nascido e dos valores que nos possam ter impresso, um jovem é um jovem. Ser-se jovem é ser-se explorador nato! Vemo-nos explodir em transformações ambivalentes (que agradam e desagradam o nosso agrado), partilhamos dúvidas, sentimentos, conquistas, arranjamos e resolvemos problemas.
Felizes pilosidades faciais e diversas que começam a germinar de uma pele primária e nos começam a demarcar do gatinhar infantil, encaminhando-nos na pré-adultez. É nesta idade que nos moldamos, acertamos e erramos em maior escala, fumamos o nosso primeiro cigarro e bebemos a nossa primeira cerveja, descobrimos o interesse ou sabor a sexo, gozamo-nos na nossa natureza, sempre envolvido numa inocência decrescente que nos responsabiliza cada vez mais pelas nossas desvirtudes.
Ser-se jovem é assim, e nenhuma moda ou evento social (que costumam marcar gerações) torna a juventude mutável. Independentemente dos marcadores que rotulam as diferentes juventudes, ser-se jovem terá sempre o feliz mistério e encanto. Olhar-se ao espelho e desatar em lágrimas por não se gostar do aspecto, dos complexos com o corpo, da oposição ideológica com os pais, do perspectivar futuro.
É aqui que nos marcamos, impulsionamos, sonhamos, para concretizar tudo isto nos restantes dias de existência que nos são oferecidos casualmente.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Previsibilidade imprevisível
Somos seres extraordinários, mas onde a imprevisibilidade opera indubitavelmente. Temos, por norma, uma grande tendência para afirmar que nos conhecemos ou que conhecemos outros como a palma da nossa mão, o que faz ou não sentido dependendo do tipo de conceptualização que fazemos acerca do comportamento humano e da sua previsibilidade.
O conceito que em psicologia aborda este tipo de questões corresponde à personalidade. Durante algumas décadas foi-se questionando sobre a verdadeira natureza comportamental do Homem, refutando e refinando-se conjecturas sobre o tema. Apesar da vasta controvérsia e divisão de opiniões teóricas, o modelo que é actualmente aceite (Big five), postula que a personalidade é sustentada por 5 traços gerais: amabilidade; conscensiosidade; abertura à experiencia; extroversão e neuroticismo.
Apesar destes estarem presentes em grau variado em cada pessoa, permitindo a sua individualidade, não explicam todo o comportamento. Vejamos, temos sempre uma noção de como responderíamos a uma determinada situação estranha, por aproximação de uma situação semelhante pela qual já tivéssemos passado. Isto parece ser uma lacuna relevante que a psicologia da personalidade parece não poder (de momento) explicar. Daqui, o leitor poderá tirar as suas próprias conclusões, do mesmo modo que tirarei as minhas. Posto isto, não nos conhecemos totalmente, nem prevemos concretamente a nossa reacção relativamente a uma nova situação. Deste modo, será falacioso fazermos prognósticos como “nunca matarei”, uma vez que não sabemos como podemos reagir num contexto específico que nos coloque uma arma na mão e uma carga incondicional de fúria.
Pois é, afinal somos surpreendentemente complexos ao ponto de não nos conhecermos afincadamente. Se pensarmos nesta realidade e nos olharmos simultaneamente para um espelho, curiosamente sentir-nos-emos diferentes ou mesmo estranhos podendo ainda questionar as nossas próprias formas faciais que nos parecem substancialmente diferentes (um “eu” diferente). Isto acontecerá devido à redefinição do self e do padrão comportamental que estamos naquele preciso momento a realizar. Não sejamos egoístas ao ponto de conhecermos tudo sobre nós, deixemos alguma coisa para se ir descobrindo, para irmos explorando. É uma realidade inerente ao nosso próprio desenvolvimento. Vamo-nos fazendo, desfazendo, descobrindo um pouco do “eu” a cada dia.
Tudo tem um fim

Estamos em Outubro, mês este que se apresenta como exemplar para tirar umas pequenas férias junto a praia, ou desfrutar de um bom piquenique. Lembro que apesar do contentamento que possamos sentir, não se trata de algo natural devendo-se a um conjunto de inúmeros factores: emissão de clorofluorcarbonetos (CFC’s) responsáveis pela criação de radicais livres na atmosfera que, por sua vez, desintegram as molécula de ozono (O3) responsáveis pela protecção dos terráqueos; da própria evolução planetária e solar, expansão do universo e alteração nos campos magnéticos polares. Este tipo de informação é-nos oferecida pelos meios de comunicação que vão amenizando a seu jeito as catástrofes ditas “naturais” mas que em grande escala se devem à acção humana. O respeito pelo ambiente é uma das políticas que se tem vindo a desenvolver de modo crescente com preocupação nas gerações vindouras que com certeza sofrerão estas alterações mais do que nós apesar dos muitos esforços que se estão a fazer contra esse sentido. O fim do mundo é inevitável até mesmo porque as transformações irão aniquilar qualquer espécie de vida. Antes do final propriamente dito, qualquer espécie assistirá ao seu extermínio e depois, sim, o planeta mãe irá sucumbir, quiçá sob forma de explosão ou pela extinção do sol numa anã branca ou pela “lufada” de ventos solares. O que acaba por ser justo, o planeta criou-se primeiro e é possivelmente o último a oferecer resistência. Trata-se de um aspecto inevitavelmente interessante da humanidade e de qualquer outra forma viva. Vimos do nada e em nada vamos ficar. Por muito que se tente minimizar os danos, o fim do mundo é uma realidade dentro de um paradoxo de irrealidade! Sim, porque se acabarmos, o que será do resto do universo (que por muito que se tenha investigado, nada sabemos senão da descoberta de alguns planetas e da expansão deste)? Haverá um fim (fronteira) ou será um contínuum (difícil de entender)? Talvez seja por termos esta noção que deixamos as coisa ao acaso e nos desleixamos não adoptando medida preventivas como: reciclar; reutilizar; utilizar os transportes públicos; minimizar a utilização de sprays domésticos contendo CFC’s; evitar os gastos desmesurados de água e electricidade…por aí adiante.
Estamos em estado emergente e, apesar de tudo, podemo-nos dar por felizes por estarmos na Europa e ainda não sentirmos de forma significativa esta alterações e maior incidência de fenómenos naturais devastadores para além destas estações cada vez mais atípicas. Mais sorte temos por não habitarmos as regiões glaciares, pois neste momento já não teríamos chão (literalmente) e de nada nos valeria o rendimento social de reinserção. Sempre poderíamos investir numa plataforma flutuante e arsenal de pesca de última geração em detrimento de um novo iphone ou carro de luxo!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
"Preso por ter e por não ter"

Uma dúvida com a qual nos vamos deparando ao longo da nossa efémera vida é que, independentemente dos esforços desmedidos que possamos fazer, nunca conseguiremos agradar todas as pessoas que temos por significativas. Há indivíduos que dão grande importância ao bem estar e prazer dos outros (geralmente pessoas mais próximas), raramente se opondo, permitindo um clima ameno, sem contrariedades. Isto gera um conjunto promissor de vantagens: o espírito grupal ganha e mantém coesão; o risco de frustração face a contrariedade é reduzido ou mesmo inexistente; recebendo-se ainda uma quantidade generosa de elogios que, no fundo, constituem agradecimentos por sermos porreiros e concordarmos com eles.
É claro que nem sempre dá para respeitar a vontade de todos, apesar de querermos muito, sendo também necessário, para a própria organização pessoal, opor-se e argumentar a nossa vontade contraditória. Mas nem sempre esta oposição é levada em consideração, isto, porque ocorre aquilo que designaria por padrão de habituação onde as pessoas não esperam resistência daquela parte integrante. A partir deste momento podem gerar-se dois tipos distintos de resposta: concordar ou contra-argumentar o ponto de vista da pessoa “pouco exigente” num clima de concórdia, o que trará grande satisfação de respeito; ou, num caso mais conturbado, o grupo está tão mimado pela falta de opinião da sua parte que não levam a sério a sugestão que possa ter feito.
O indivíduo, tendo em conta a forma como o grupo responde, poderá reforçar tanto a sua individualidade de opiniões como o seu conformismo, no intento de evitar qualquer conflito futuro. As dinâmicas de grupo são concomitantes ao nosso quotidiano nos diferentes grupos, onde desenvolvemos aptidões diferenciadas, podendo-nos ser mais fácil entender uns fenómenos do que outros.
Sexo Descomprometido à Portuguesa

Provavelmente muitos de nós (não no meu caso) já experienciou uma noite de “engate” ou de “curtição” que duraram não mais que uma noite! Não posso proferir muito acerca deste tema por não o ter vivido, mas posso concluir alguns pontos da experiência de terceiros que me foi adiantada. O que me parece um ponto de partida é que, se alguma coisa sucede, dá-se por vontade ou desinibição consensual. Confesso que até bem pouco tempo não conhecia esta realidade que é cada vez mais nossa. Tinha este fenómeno como frequente noutras culturas, mas agora tenho a prova que os “amassos” e o sexo descomprometido também se fazem à portuguesa, cá dentro ou lá fora. Fora qualquer julgamento, não condeno as pessoas que passaram por essa experiencia, até porque não existe nada de contranatura em desenvolver os papéis de macho e fêmea que nos foram designados.
Tenho alguma duvidas se se poderá teorizar sobre este fenómeno social ou se já existe alguma literatura científica. Mas parece-me claro que não é necessário um grau de intimidade ou conhecimento muito apurado acerca de uma pessoa para levar a cabo relações sexuais com a mesma. Talvez seja essa a principal vantagem: não se saber nada a respeito da outra pessoa, sabendo que não se estão a fazer apostas para além daquela que fazemos na degustação libidinosa; não se fica frustrado ou culposo se não conseguirmos tirar o máximo partido.
Por outro lado, se a experiência for exímia, é sempre algo que podemos vir a repetir nos dias que se seguem ou simplesmente sempre que o desejo despoletar. Mas isto nem sempre se dá de forma linear, isto porque um relação séria pode ser fruto deste tipo de casualidade sexual. O proveito é satisfatoriamente consensual e começam-se gradualmente a descobrir outras facetas do parceiro, podendo resultar uma relação de compromisso.
Este fenómeno está em voga, devendo-se em parte, à aculturação, aproximando-nos cada vez mais às práticas sociais da Europa central e de leste. O ponto conclusivo desta metanálise, com base na experiência alheia, baseia-se na premissa central que há maior probabilidade num acontecimento isolado deixar recordações felizes e didácticas para futuras relações.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Luxo Pouco Ergonómico

Como podemos presenciar, há uma preocupação crescente em agradar os clientes das mais variadas áreas comerciais que têm por finalidade lutar pela satisfação, envolvendo-os num ambiente acolhedor e aprazível. É óbvio que tudo se sustenta na filosofia que se o cliente estiver satisfeito maior será a probabilidade de vir a consumir e em maiores quantidades. Porém, tudo tem um limite! Por vezes a vontade de acolher torna-se mesmo excessiva, incomodativa, podendo em casos extremos, violar a intimidade do consumidor.
Sei que nestas linhas gerais, não dá para entender o que quero proferir, por isso, passo a exemplos práticos. Todos já tivemos a sensação de entrar numa loja só com intento de ver e, somos rapidamente abordados por pessoas preocupadas em saber se necessitamos de ajuda. Parece-me claro que se precisa-se ou tivesse qualquer dúvida acerca do produto disporia da disponibilidade a que se prestam. Gosto de ver, experimentar e analisar a etiqueta que pode fazer a diferença entre a aquisição de um novo casaco! Não me considero um comerciante por não o ser de facto, porém dedico-me à supervisão de um stand automóvel em tempos livres e tenho por hábito respeitar a liberdade do cliente, deixando-o deambular entre as carroçarias e apenas intervir quando solicitado para alguma dúvida ou caracterização pormenorizada (apesar de não ser um grande “expert” sobre matéria automóvel) . Em parte, posso vangloriar-me que respeito a política do bom comércio. Como consumidor, detesto sentir-me persuadido, sendo mais provável fazer compras em lojas que me deixam passear, “namorar” a minha próxima camisola ou par de sapatos! Humm…como adoro lojas.
Bom, isto é apenas um primeiro exemplo. Outro exemplo é referente às casas de banho de luxo! Existem nalguns hotéis, casinos e restaurantes chiques...anyway! Foi precisamente numa casa de banho dita de luxo, mas pouco ergonómica, que tive a minha pior experiência de micção. Havia divisórias relativamente baixas (pela cinta e meço 1,72m) já por si constrangedoras acompanhadas de um espelho único que ligava todos os urinóis. Foi-me inútil fazer qualquer esforço para ver o pénis de um desconhecido posicionado à dois urinóis de distância, sendo-me oferecido de bandeja (entenda-se o sentido figurado, luxo mas nem tanto)! Fiquei indignado mas não fui capaz de fazer qualquer reclamação. Não fui lesado, mas tal como eu, outras pessoas poderão sentir-se desconfortáveis ou observadas, assistindo e fazendo parte de um comício de comparação peniana. Parece-me que, mais que nunca, se tenta inventar ( muito longe do inovar) cometendo grandes erros que impossibilitam qualquer possível simbiose entre a arquitectura decorativa e a ergonomia.
Outro exemplo que gostaria de recordar ocorre na maior parte dos restaurantes que, apesar da controvérsia acerca das entradas nos surgem à mesa mesmo sem as termos pedido. Sinto que continuam a querer “impingir-nos” coisas comestíveis para lograr um pouco mais na conta final. Diga-se numa breve referência que são precisamente nas entradas que conseguem tirar mais lucros. Por isso, tenho por opção evitar essas casas que por erro meu as fui conhecendo, optando por outro locais que respeitam a minha liberdade.
Outra inovação são as televisões ou mini plasmas nos urinóis de alguns centros comerciais que constituem logo á partida uma tremenda injustiça com as portadoras do sexo feminino que não desfrutam da qualidade publicitária das várias lojas que o shopping possui ou então do resultado futebolístico. Porreiro e sentado, dada esta contribuição, seria a existência destes “ pequenos revolucionários” da laxação embutidos nas portas sanitárias, para que as mulheres pudessem acompanhar as ultimas peripécias da novela.
Pensando melhor, acho que estes mini plasmas desempenhariam uma função crucial nas casas de banho cujas divisórias dão pela cinta e são adornadas por um espelho contínuo. Sempre não cairíamos no acidente ou tentação, para outros, em ver a masculinidade da vizinhança.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Conflitos Intergeracionais
É do conhecimento generalizado que os “tempos” mudam. E não é só o tempo ou as gerações em termos cronológicos, mas panóplia de valores inerentes. Este fenómeno intergeracional verifica-se em todas as culturas, numas mais noutras menos de forma mais ou menos pacífica. Tudo isto depende não apenas da cultura em que se viveu, mas principalmente por aquilo que defino de flexibilidade pessoal. Sem descorar qualquer preferência pelos “outros tempos”, saudosamente recordados pelos mais antigos, deve subsistir (na minha opinião) a capacidade de discernir o que é sensato/correcto daquilo que muitas vezes constitui um conservadorismo excessivo.
O tempo “mudou” porque as pessoas assim o vêem. Não se terá alterado assim tanto, provavelmente sucedeu-se uma pequena evolução a nível social, havendo uma maior aceitação de fenómenos sociais que sempre persistiram. Basta pensarmos que o tema da homossexualidade é encarado gratuitamente como uma psicopatologia pelos nossos avós ou até mesmo pelos nossos pais. Esta inflexibilidade deve-se na maioria das vezes pela ausência de raciocínio individual sobre o assunto, sendo encontrado suporte explicativo sobre o tema naquilo que é gratuito e envolve pouco esforço (conformismo religioso). Não obstante, a homossexualidade e o sexo antes do casamento, temas avassaladores para os seguidores devotos, são bem mais antigas que Cristo, constituindo até mesmo estatuto (no caso da homossexualidade) na Grécia antiga. É patente que isto sempre existiu e em nada nos irá prejudicar ou criar diferenças. Porém, o cepticismo cria a desigualdade e desconforto ilusório quando este tipo de naturezas acontece. Eventualmente haverão pessoas que façam questão de se preservarem castas até ao casamento, respeitando isso. É uma decisão pessoal do mesmo modo que o sexo consentido é, não lhe sendo indispensável qualquer ministério administrado pelo divino.
Trata-se de uma carência a nível do exercício mental, de pensar por si, sendo mais propenso incorrer no facilitismo em meios rurais com níveis mais elevados de aliteracia. Convém sublinhar que esta variável é facilitadora mas não se encontra directamente associada.
O que me parece conclusivo é que sempre foi mais fácil, menos árduo adoptar como crenças imutáveis os “ensinamentos” pregados por um sacerdote tendo por fonte um compêndio falacioso e metafórico de 1357 páginas, cansado de mutações e reformulações, exigindo interpretações subjectivas, continuando a ser “felizmente” o mais vendido. Parece inevitável acreditar nalgo superior, mas não o devemos fazer da forma mais fácil, é preciso ser-se crítico, elaborarmos a nossa própria explicação acerca do mundo e acredito que se o fizermos nos sentiremos salvos a mesma. Elaborada uma explicação própria, acredito que será mais fácil compreender aquilo que tantos têm por assimetrias da vida. Recorrendo ao raciocínio arcaico e ao conceito de “perfeição” (ser perfeito entenda-se aquele devoto que segue à risca a doutrina), se o divino fizesse tanta questão, já nos teria feito de acordo com essas directrizes. Deste modo, se não o fez, significa que este conceito perfeccionista é uma criação arcaica, devendo aceitar o que é natural.
Fora qualquer generalização, existem pessoas de outras gerações que sempre pensaram de forma crítica, por si. Na actualidade esse exercício é fácil de levar a cabo, o individuo cresce, recebe as mais variadas instruções e elabora o seu próprio raciocínio crítico sobre o mundo que o rodeia. Apesar de tudo, nada nos garante que os conflitos intergeracionais se extingam, sendo bem provável que subsistem, discriminando formas arcaicas de novos pensadores através de um processo natural de evolução social.
Imprevisibilidades

Sempre sonhamos com os nossos maiores desejos se tornarem realidade, porém o que acontece, na maior parte das vezes, é que eles não sucedem da forma como planeávamos. Por vezes ficamos assim, dando-nos por satisfeitos com o que conseguimos ou então lutámos pela perfeição para obtermos os resultados esperados. Ainda bem que isto acontece! Já pensaram como seria se todos os nosso desejos se realizassem?! Claro, à primeira vista seria um fenómeno pelo qual todos queríamos passar! Mas gosto de pensar que esta ambição não é mais que um estado ilusório, pois acabaríamos por arranjar qualquer coisa para argumentar a nossa insatisfação. Isto sucede-se, segundo o meu ponto de vista, porque o Homem tem a necessidade de optimizar-se ao longo do seu desenvolvimento, aproximando-se cada vez mais dos seu objectivos, dos seus ideais. Assim, sempre que conseguimos uma conquista, rapidamente redireccionamos os nossos esforços para o tópico seguinte da nossa “lista”, caminhando para a perfeição idealizada daquilo que queremos (mas que egoístas!). Na segunda hipótese, o que acontece, é que aquilo que conseguimos não nos é satisfatório por não corresponder às expectativas. Então rapidamente descartamos o feito e recomeçamos à luta por melhores resultados. Pois é, somos uns eternos (até ao final da nossa vida) insatisfeitos. Mas é precisamente esta insatisfação, imprevisibilidade, impossibilidade de controlar o que nos circunde que nos dá alento, nos obriga a “carburar” para conseguirmos o que ansiamos. Por isso, um conselho, experimentemos, vivemos, mas façamo-lo de uma forma desafogada tirando sempre o máximo proveito. Sejamos uns felizes insatisfeitos!
sábado, 19 de setembro de 2009
Aos caloiros!
Para uma miúda de 18 anos com uma vida resumida aos estudos, foi como se me tivessem entregue a minha carta de alforria, o passaporte para uma vida (quase) independente, numa cidade tão maior e mais apetecível que a minha...e como se não bastasse, levava comigo a minha melhor amiga para viver comigo num apartamento só nosso - o sonho de qualquer adolescente!
As tão malfadadas praxes que, para quem está de fora não passam de cerveja a mais e um monte de figuras tristes e humilhações a que os pobres caloiros são submetidos, para nós não eram mais que uma sensação de liberdade, de poder fazer quase tudo que normalmente seria impensável e que naquelas circunstâncias era perfeitamente tolerável e compreensível, porque ("coitadinhos!") tínhamos de obedecer aos Srs.doutores; era o orgulho e o sentimento indescritível de pertencer ao (melhor!) curso e à (melhor!) Academia, pelos quais gritávamos convicta e fervorosamente até onde as gargantas nos permitiam; era a camaradagem e os valores de solidariedade e união que, desde cedo, os "maléficos" doutores se preocuparam em nos incutir... Lembro-me do fascínio e da ingenuidade que ainda trazia da adolescência perante um mundo novo por explorar, das noites de borga, da minha primeira bebedeira, dos jantares de curso, das 'cantilenas' que cantávamos na praxe, das tardes na esplanada, das cerimónias tradicionalmente académicas, dos jantares com as meninas lá de casa e as conversas disparatadas que se seguiam, da primeira vez que ouvi uma tuna, da primeira vez que trajei, da ânsia de querer aproveitar ao máximo uma experiência de vida que eu tinha noção que não se repetiria... e de facto não se repetiu. Por muito fantásticos que tenham sido os anos que se seguiram (porque não há mesmo vida como a de estudante), nenhum se compara ao ano de caloiro! Não dá para sentir de novo o que só a dita ingenuidade da adolescência nos permite, não podemos ser praxados novamente e sentir aquela sensação de liberdade e até de irresponsabilidade, não dá para reviver todas as novas experiências com sabor a mágica que só um contexto universitário nos permite... Restam-nos as lembranças, as saudades, a nostalgia e a certeza de que valeu a pena.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Enamorar antes de namorar

Medicina: ciência ou estatuto?

Um dia destes estava num salão de chá e não pude deixar de reparar num assunto que me deixou um pouco conturbado. Tratava-se de uma cliente habitual que estava a contar a sua decepção por não ter entrado em medicina na Faculdade de Medicina do Porto. Apesar de tudo, conseguiu uma vaga no curso de psicologia na mesma universidade, alegando que seria melhor um ano em psicologia até realizar as melhorias para o próximo concurso. Até aqui tudo bem! É um processo que muitos alunos utilizam para não ficarem parados um ano inteiro. Porém, na sua agonia, acabou por proferir que, o curso escolhido, não lhe daria muitas oportunidades profissionais. Até aqui tudo bem, apesar de discordar! O pior da conversa de café estaria para vir quando a futura senhora doutora decidiu "enxovalhar" os psicólogos. Começou com uma conversa banhada de preconceitos, justificando que a medicina lhe daria mais "estatuto" do que a psicologia e que a psicologia não é tão bem vista como a primeira. Não me faltou vontade de fazer parte dessa pequena conversa, mas era tão cúmplice que achei melhor não destruir esse bonito sentimento. Não desconstruo nada daquilo que a menina possa ter dito, uma vez que ela retrata muito bem o senso comum acerca da Psicologia como ciência e da dúvida que subsiste acerca da sua utilidade na vida quotidiana. Se me fosse concedido espaço de discussão no pequeno diálogo a dois diria apenas que tal como a medicina, a psicologia mostra-se vital. Isso verifica-se nos mais variados contextos, seja ele na prevenção e terapia de pequenos problemas pessoais, terapia de casal, intervenção em catástrofes, e outras tragédias. Mas a psicologia é muito mais! Ela não se circunscreve à vertente clínica. A psicologia também dá o seu forte contributo no âmbito da justiça, da educação, do desporto, do estudo do comportamento humano, da investigação...e mais!
Sem querer redireccionar críticas e na minha mais profunda imparcialidade poderia dizer que a alguns profissionais da medicina falta precisamente alguma componente psicológica, mais humanística em detrimento dos diagnósticos céleres e mecanizados que muitas vezes são levados a cabo.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Micro, pequenos e médios mas sempre grandes amigos!

Lembrei-me de dedicar este post aos amigos e à amizade, precisamente por ser um dia feliz para um deles! Sim, porque um bom amigo é como um irmão. Pitoresco! Os grandes amigos nunca são muitos, não passando, em generalidade, de dois ou três e nunca ultrapassando um punhado. Na verdade, mais valem poucos e extraordinários do que muitos e "rascos", pelos quais não daríamos um vintém!
Não existe uma definição justa que permita caracterizar os bons amigos. São aqueles que, mesmo que por breves instantes, nos acompanham nos momentos mais tristes, mais alegres, mais hilariantes... aqueles que dizem "a tua namorada é mesmo boa!", capazes de tudo (ou quase tudo). São aqueles que tentam não se dissuadirem entre uma noite escaldante com a namorada, que comprou um lingerie nova para arrancarmos com os dentes, e um café repleto de novidades fresquinhas. Mas como bons amigos que são, conseguem sempre conciliar as duas coisas, conseguindo uma mistura estonteantemente excitante que se resume a partilhar as novidades e ter uma noite cheia de exercício libidinoso, colmatando num adormecer a dois!
A amizade é isto, sentir que não se perde nem de um lado nem do outro, que independentemente do que façamos lá estarão aqueles dois ou três com um sorriso nos lábios, com vontade de nos abraçar, quiçá surpreender com um beijo e ainda pagar um café!...
Aos bons amigos!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O conceito de "dinheiro mal gasto"

É curioso como o conceito de "dinheiro mal gasto" varia tanto de pessoa para pessoa... A condição financeira de cada um é sem dúvida um factor determinante, mas acho que os gostos pessoais e as prioridades que cada pessoa estipula para si influenciam ainda mais o conceito que cada um tem de "dinheiro mal gasto". Ontem estava ao telefone com uma amiga e estávamos as duas com dilemas muito semelhantes, mas por coisas completamente diferentes. Ela tem um casamento "chiquérrimo", precisa de um vestido "à altura" e o mais barato que conseguiu encontrar custa 150€...É muito dinheiro por um vestido (pelo menos para nós), mas tendo em conta os valores praticados na loja em questão, é uma "pechincha". Ora, eu nunca na vida daria esse dinheiro por um vestido! Muito menos (só!) para ir a um casamento. No entanto, estou prestes a dar um valor semelhante por um gato persa...o que também é uma pechincha tendo em conta o preço normal destes bichanos. Ora, também ela jamais gastaria esse dinheiro num gato! Já o meu pai, por exemplo, teria um ataque do coração se soubesse quanto eu tenciono gastar com o gato ou se eu desse tanto dinheiro por um vestido, mas se calhar não acharia "dinheiro mal gasto" se se tratasse de uma jantarada com os amigos. A verdade é que, com mais ou com menos possibilidades económicas, todos nós cometemos por vezes pequenas ou grandes 'loucuras' (proporcionais ao orçamento de cada um), mas que significam muito para nós e valem o que outros chamarão de "dinheiro mal gasto".
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Verdadeiro ou falso?

Estes dias dei por mim a imaginar como seria se pintasse o cabelo de loiro, colocasse uns implantes mamários, lentes de contacto azuis, começasse a frequentar o solário para estar sempre bronzeada... não sei bem como ficaria, nem sei se ficaria bem, mas sem dúvida ficaria mais "vistosa"! Mas será que continuaria a ser mesmo eu? É estanho pensar como hoje em dia é tão fácil e tão frequente fazer mudanças tão radicais na aparência de uma pessoa... Sem dúvida uma mais valia para melhorar a auto-estima e aguçar o ego, mas leva-nos a questionar muitas vezes o que é verdadeiro e o que é falso. A verdade é que cada vez conheço menos mulheres cuja cor de cabelo seja natural, os solários são um negócio a crescer de vento em popa e os implantes mamários até já são financiados pela 'caixa' (!!) - parece que os complexos causados por um peito pequeno são considerados um problema de saúde, na medida em que levam a distúrbios psicológicos. Não tenho nada contra cirurgias plásticas ou qualquer tipo de alteração estética - pelo contrário, concordo que cada um deva fazer tudo que possa e ache necessário para se sentir bem com o seu corpo- ,mas não dá para deixar de pensar no quão banalizadas estas alterações se têm tornado e nos casos que se ouvem de cirurgias que correm mal e que por vezes acabam por piorar a aparência das pessoas ou, mais grave ainda, trazem problemas de saúde a sério! As facilidades são tantas que as pessoas preferem fazer uma lipo-aspiração a fazer uma dieta. Acho que um dia destes também vou ao médico falar dos meus complexos com a celulite e no quanto esta me afecta psicologicamente para ver se também me financiam um tratamento estético...
sábado, 22 de agosto de 2009
Amar com cabeça?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Os namorados dos amigos *

(*leia-se também namoradas dos amigos/ namorados das amigas/ namoradas das amigas)
Os namorados dos amigos normalmente são pessoas porreiras e nós gostamos muito deles porque fazem o nosso amigo feliz. Mas no fundo, bem no fundo, ainda que inconscientemente, toda gente detesta os namorados dos amigos! (detestar talvez seja uma palavra muito forte...mas pelo menos, sente ciúmes!) Torcemos imenso para que comecem a namorar e para que a relação dê certo, saímos muitas vezes juntos e fazemos planos para que a nova cara-metade do nosso amigo se integre e se sinta bem connosco. Mas isso é só no inicio da relação! Passado algum tempo, o nosso amigo já sai menos connosco, não aparece tanto no msn, manda menos sms's, já não quer saber de noites porque quer passa-las com o seu amor...passa a ter novas prioridades. Há que conciliar os amigos de ambas as partes, tem de haver tempo para estarem sozinhos, às vezes também tem de haver tempo para estar com as respectivas famílias... Em casos mais graves, o pior nem é isso, é o quão lamechas e enjoados se podem tornar! Primeiro são as declarações de amor no msn (ainda que dissimuladas), depois são os comentários no hi5 (no extremo do "lamechismo" podem chegar a dizer 'amo-te' em todas as fotografias!), não desgrudam um do outro quando estão connosco (chegam mesmo a esquecer que há mais gente em volta!) e depois vem a aliança... Parece-nos impossível que ele agora esteja tão diferente e que para decidir se pode ou não estar connosco, tenha que falar com o namorado primeiro, porque agora as decisões são tomadas a dois e há que dar satisfações dos seus planos!
Mas pior, pior mesmo, é quando somos nós 'o amigo', começamos a namorar e temos que engolir todas as críticas que fizemos aos nossos amigos quando eles começaram a namorar... --'
(vá lá que pelo menos não cheguei a atingir os extremos do "lamechismo"!)
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Mais um post sobre a Maya na FHM...

Estava pr'aqui a correr uns blogues e mais uma vez...um post sobre a Maya na FHM! Parece que a senhora conseguiu pôr toda gente a falar dela, tal como queria. Bem dizia ela numa entrevista, que uma capa sua causaria mais impacto que a da Mónica Carvalho na Playboy! Fala-se em photoshop e lêem-se exclamações como "FEIA, FEIA FEIA!", "o horror, a tragédia...!", "credo, que mal…", "esta revista caiu mesmo no degredo"... Das várias opiniões que li sobre o assunto, são mesmo muito poucas as favoráveis. Eu também não simpatizo muito com a senhora e concordo que haveria capas muito mais bonitas a publicar, mas também acho que há que lhe dar algum mérito, dada a idade dela -49 anos! Com ou sem photoshop, ela está muito bem para a idade que tem! Quanto ao photoshop, quase todas as fotos dessas revistas - umas mais, outras menos - devem ser retocadas, acho que hoje em dia é difícil saber o que é natural ou não. E quanto à revista, sem dúvida fez uma excelente aposta, não pela beleza estonteante da taróloga, mas porque conseguiu uma publicidade impressionante do número deste mês.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
"Estético'dependentes"
Dizem que a mulher é símbolo de beleza.... talvez seja por isso que sempre se caracterizou por uma maior preocupação com a sua aparência em relação aos homens. Preocupação essa que nos últimos anos se tem vindo a tornar numa obsessão para muitas mulheres (poucas são as que não têm motivos para complexos ou que conseguem ignorar e desvalorizar todos aqueles pequenos defeitos que nos caracterizam e tanto nos incomodam - celulite, gordura localizada, varizes, estrias, etc, etc). A publicidade constante de receitas milagrosas com a imagem de mulheres 'perfeitas' é uma das grandes responsáveis por esta obsessão... É impressionante a quantidade de anúncios com que nos deparamos de tratamentos estéticos, cremes anti-celulite, anti-rugas, comprimidos de emagrecimento, dicas para emagrecer e/ou perder a celulite . Eu já estou quase uma expert em celulite de tantos artigos que já li sobre o assunto! (De facto é uma obsessão minha que tem vindo a crescer de ano para ano -à medida que o seu aspecto vai piorando-, apesar de ter noção do quão fútil é e de que ter mais ou menos celulite, ter uns quilitos a mais ou a menos não fazem de mim uma pessoa melhor ou pior.) A verdade é que nós mulheres somos quase forçadas a manter uma aparência minimamente apresentável, segundo os padrões de beleza ditados pela sociedade. Ou então é uma "paranóia" que já nasce connosco, que faz parte da nossa natureza: a necessidade de nos sentirmos bonitas, invejadas, desejadas. Até porque quando tal não acontece, há sempre alguém pronto para apontar o dedo. E quando a nossa auto-estima está mais em baixo, lá aparece mais um anúncio de um produto milagroso que nos faz acreditar que é desta que vamos ficar com um aspecto magnífico, e que faz de nós cada vez mais "estético'dependentes".
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
O Baptismo

Este fim de semana fui convidada para o baptizado da afilhada do meu namorado.
Eu também fui baptizada, fiz a primeira comunhão e fui educada como católica. Desisti da catequese antes de fazer a segunda comunhão, por achar que era uma perda de tempo - e de facto era! Lembro-me de ouvir algumas histórias sobre Jesus Cristo nos primeiros anos e de completar em coro "Je...sus!", e mais tarde só me lembro de ficar a conversar com os meus colegas porque os catequistas não tinham nada para nos ensinar. Com os anos fui-me desligando da Igreja Católica, conforme me fui apercebendo de algumas incongruências e hipocrisias da instituição e das pessoas que a seguem. Mas não vou divagar relativamente a isso agora... Voltando ao Baptizado (mas continuando a questão da hipocrisia)! Ao longo de todo o ritual (acho que lhe posso chamar ritual) fui-me perguntando porque razão os pais insistiram em baptizar a criança, quando se notava perfeitamente que não levam a sério a religião em questão e os ditos rituais (incluindo o de frequentar a Igreja semanalmente) . A mãe da baptizada e a respectiva madrinha repetiam aborrecidas "vamos ter que assistir à missa toda!"; o meu namorado, agnóstico assumido, prometeu perante o padre (tal como os restantes) educar a criança segundo os valores católicos... Até mesmo eu (!) - dei por mim a repetir todas aquelas orações e deixas que aprendi a repetir mecanicamente ao longo dos anos, sem sequer pensar no que estava a dizer. E o mesmo se repete em tantas outras famílias, completamente desligadas e descrentes dos ensinamentos católicos, que insistem em levar a cabo os sacramentos desta religião, maioritária no nosso país, só porque toda gente o faz! Toda gente casa, toda gente usa um vestido bonito para entrar na Igreja, toda gente baptiza os filhos (também com vestidos bonitos), etc, etc...então porque é que eles não o hão-de fazer?! E depois quem lhe daria a prenda na Páscoa?? Segundo apurei no site da Igreja do Campo Grande,
"O Baptismo é o sacramento pelo qual os indivíduos se tornam membros do Corpo de Cristo que é a Igreja.
A questão é se esta grande maioria de falsos católicos pára para pensar se de facto acredita no compromisso que vão assumir e na(s) promessa(s) que vão fazer perante o padre e, supostamente, perante Deus; e mais importante, se realmente vale a pena impor uma religião a uma pessoa que ainda não tem poder de decisão! Em famílias fervorosamente católicas (como a minha) levanta-se ainda a questão do receio de enfrentar a família. Confesso que se um dia tiver filhos, vai ser complicado explicar à minha avó que não os vou baptizar...mesmo assim, acho que não justifica a hipocrisia a que muitas pessoas continuam a submeter-se e até mesmo o desrespeito para com aqueles que acreditam e encaram estes rituais/sacramentos com seriedade.
É o banho da regeneração dos filhos de Deus, que liberta de toda a culpa;
É o sacramento da fé, da adesão incondicional à pessoa de Cristo;
É o sacramento do testemunho que compromete no anúncio do Evangelho pela vida e pela palavra oportuna;
É o sacramento da comunidade de fé, de esperança e de serviço."

