quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Luxo Pouco Ergonómico


Como podemos presenciar, há uma preocupação crescente em agradar os clientes das mais variadas áreas comerciais que têm por finalidade lutar pela satisfação, envolvendo-os num ambiente acolhedor e aprazível. É óbvio que tudo se sustenta na filosofia que se o cliente estiver satisfeito maior será a probabilidade de vir a consumir e em maiores quantidades. Porém, tudo tem um limite! Por vezes a vontade de acolher torna-se mesmo excessiva, incomodativa, podendo em casos extremos, violar a intimidade do consumidor.
Sei que nestas linhas gerais, não dá para entender o que quero proferir, por isso, passo a exemplos práticos. Todos já tivemos a sensação de entrar numa loja só com intento de ver e, somos rapidamente abordados por pessoas preocupadas em saber se necessitamos de ajuda. Parece-me claro que se precisa-se ou tivesse qualquer dúvida acerca do produto disporia da disponibilidade a que se prestam. Gosto de ver, experimentar e analisar a etiqueta que pode fazer a diferença entre a aquisição de um novo casaco! Não me considero um comerciante por não o ser de facto, porém dedico-me à supervisão de um stand automóvel em tempos livres e tenho por hábito respeitar a liberdade do cliente, deixando-o deambular entre as carroçarias e apenas intervir quando solicitado para alguma dúvida ou caracterização pormenorizada (apesar de não ser um grande “expert” sobre matéria automóvel) . Em parte, posso vangloriar-me que respeito a política do bom comércio. Como consumidor, detesto sentir-me persuadido, sendo mais provável fazer compras em lojas que me deixam passear, “namorar” a minha próxima camisola ou par de sapatos! Humm…como adoro lojas.
Bom, isto é apenas um primeiro exemplo. Outro exemplo é referente às casas de banho de luxo! Existem nalguns hotéis, casinos e restaurantes chiques...anyway! Foi precisamente numa casa de banho dita de luxo, mas pouco ergonómica, que tive a minha pior experiência de micção. Havia divisórias relativamente baixas (pela cinta e meço 1,72m) já por si constrangedoras acompanhadas de um espelho único que ligava todos os urinóis. Foi-me inútil fazer qualquer esforço para ver o pénis de um desconhecido posicionado à dois urinóis de distância, sendo-me oferecido de bandeja (entenda-se o sentido figurado, luxo mas nem tanto)! Fiquei indignado mas não fui capaz de fazer qualquer reclamação. Não fui lesado, mas tal como eu, outras pessoas poderão sentir-se desconfortáveis ou observadas, assistindo e fazendo parte de um comício de comparação peniana. Parece-me que, mais que nunca, se tenta inventar ( muito longe do inovar) cometendo grandes erros que impossibilitam qualquer possível simbiose entre a arquitectura decorativa e a ergonomia.
Outro exemplo que gostaria de recordar ocorre na maior parte dos restaurantes que, apesar da controvérsia acerca das entradas nos surgem à mesa mesmo sem as termos pedido. Sinto que continuam a querer “impingir-nos” coisas comestíveis para lograr um pouco mais na conta final. Diga-se numa breve referência que são precisamente nas entradas que conseguem tirar mais lucros. Por isso, tenho por opção evitar essas casas que por erro meu as fui conhecendo, optando por outro locais que respeitam a minha liberdade.
Outra inovação são as televisões ou mini plasmas nos urinóis de alguns centros comerciais que constituem logo á partida uma tremenda injustiça com as portadoras do sexo feminino que não desfrutam da qualidade publicitária das várias lojas que o shopping possui ou então do resultado futebolístico. Porreiro e sentado, dada esta contribuição, seria a existência destes “ pequenos revolucionários” da laxação embutidos nas portas sanitárias, para que as mulheres pudessem acompanhar as ultimas peripécias da novela.
Pensando melhor, acho que estes mini plasmas desempenhariam uma função crucial nas casas de banho cujas divisórias dão pela cinta e são adornadas por um espelho contínuo. Sempre não cairíamos no acidente ou tentação, para outros, em ver a masculinidade da vizinhança.

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