
Dedicar um post sobre este tema não servirá de incentivo ou consolo para quem possa vir a cometer ou sofrer este tipo de evento. Parece-me claro que num primeiro momento, diríamos todos que se trata de um acto reprovável. Mas apesar de sabermos e termos o cuidado para que nada disso aconteça, por vezes, não se consegue resistir! Existem diversas teorizações acerca da ocorrência deste fenómeno, alguns alegam que para o facto disto acontecer o indivíduo não se encontra satisfeito com a relação, outras que referem que parte da necessidade de “experimentarem” e “viverem” outras pessoas, sendo por isso que surge geralmente sob a forma inesperada e incontrolável. Independentemente das razões, este tipo de ocorrências coloca, geralmente, termo às relações actuais e, estranhamente, noutras reforça-as ou passa-se simplesmente uma borracha! Será o modo mais adequado para lidar com isto? É obvio que uma pessoa traída terá sempre em pensamento que tudo poderá voltar a acontecer ou até com maior frequência por ter havido uma atitude de complacência (que pode ser visto como uma autorização para repetir o feito). Noutros casos podem mesmo verificar-se pensamentos optimistas tentando esquecer e “bola para frente”! Apesar de tudo o que possa ser dito, dos conselhos ou julgamentos que possamos fazer sobre isto, tenhamos passado ou não por elas, não me parece existir uma resposta ou forma certa de lidar com isto. É sem dúvida um cataclismo emocional, tudo o que conhecemos e vivemos é questionado e nada mais parece ter valor. Presenciei isto há pouco tempo com uma amiga próxima que foi traída “duplamente”e perdoou. Será preciso gostar extremamente da pessoa ou ser-se emocionalmente muito fria para encarar estas coisas como passageiras? Possivelmente, poderemos escolher umas das duas que servirão certamente para muitos e para outras serão completamente descabidas. Como disse, cada um pensa e age por si. A traição dupla seria uma traição descoberta por acaso, após algum tempo da sua ocorrência. Vejo-a como uma “dupla” traição por ter sido feito tudo para a esconder, foi um comportamento totalmente deliberado e consciente. Apesar de tudo, e talvez por já se tratar de uma relação de sete anos, esta viria a durar mais um ano, tendo então terminado por desconforto. Apesar de todo o sofrimento que possa ter sido causado e sentido, a verdade é que descomprometidamente continuam a encontrarem-se (envolvendo-se com tudo o que é típico num casal) de forma dissimulada e mais esporadicamente do que na relação que mantinham. Será este “saciar de saudades” saudável? Não irá piorar as coisas? Afinal de contas eles deveriam separar-se como casal, podendo continuar como bons amigos mas saberem delimitar fronteiras. Parece ser mais difícil do que isso. Mas mais do que nunca ele é menos dela, há grande probabilidade de apenas lhe dar um dividendo de si, estando envolvido noutras relações. A forma mais digna teria sido acabarem de uma forma seca e definitiva ou então nunca tê-lo feito. Visto ainda existirem sentimentos, saudades daquilo que se viveu, também devemos ter presente que poderá ocorrer o retorno da relação (feliz ou infelizmente). Se isto acontecer vão ficar ainda mais dúvidas acerca daquilo que possa ter ocorrido durante o período de afastamento, não se podendo reivindicar qualquer fidelidade do mesmo.





