quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Educação precisa-se!


Tenho vindo a referir em posts anteriores que a juventude actual não se distingue, na sua essência, da de outrora. Porém, alguns aspectos mais supérfluos são notoriamente distintos. Sim, a cultura é diferente, a informação é mais vasta, e há facilitismo para tudo. Mas tudo deveria ter a sua norma! Tudo deveria ser moderado e , por vezes, colmata naquilo que se torna comodismo excessivo. Tenho vindo a observar uma certa desresponsabilização dos próprios comportamentos juvenis. A nota negativa de um teste pode ser, consequência da complexidade própria da matéria que delimita ou de práticas incorrectas ou mesmo de nenhum estudo (geralmente “camuflado”). É-lhe tão mais fácil ter como principal passatempo o PC que tudo lhes oferece, desde de divertimento (principalmente), e, pouco conhecimento, paradoxalmente. Este regalo proporciona-lhes uma distracção que se ainda não é, nalguns casos, se torna quase compulsiva, podendo desenvolver consequências nefastas: não exercitação das dinâmicas grupais (familiares e grupos de pares) ao estado de embotamento sobre a própria realidade que os circunde, e outros fenómenos como a obesidade. Assim sendo, MacDonald (e outras cadeias de comida rápida) e o sedentarismo, que lhes são fácil e comodamente gozados, constituem as principais armas de arremesso .
É aqui que uma educação preocupada, por parte dos pais e das instituições educacionais, assume um papel preponderante. Deve procurar-se um meio termo, um equilíbrio entre a escassez e o exagero de mimo tecnológico e alimentar. Deve fomentar-se o gosto por uma alimentação saudável com todos os seus benefícios; pelo conhecimento e pelas formas de conhecer; e pelo principal moderador de uma sociedade propensa ao caos, o respeito.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Unissexo


Tipicamente, assistimos a jogos que procuram testar diferenças entre géneros, para além das diferenças físicas existentes entre homem e mulher. É óbvio que existem dissemelhanças comportamentais, mas não devemos cultivar o gosto pelo seu agravamento. À semelhança de outras sociedades, a portuguesa caracteriza o homem como alguém mais frio, rude, determinado, seguro de si, violento, casmurro, pouco flexível; sendo que as mulheres são vistas como dóceis, originais, dedicadas, organizadas, etc. Parece-me que esta caracterização está prestes a entrar em desuso através de um processo, que me dou à liberdade de intitular, de uniformização (dos géneros).
Estas caracterizações ortodoxas, são o reflexo das profissões e actividades que tipicamente são desenvolvidas pelo homem ou mulher. Os homens são conhecidos pelos seus trabalhos forçados e por chegarem cansadíssimos a casa. Por sua vez, as mulheres são “chantageadas” pela sua labuta menos forçada, podendo desenvolver as demais tarefas domésticas. Creio que é necessário desmistificar esta visão errónea. Ser-se homem ou mulher não deve constituir estatuto ou vantagem à nascença. Mas, graças ao apelo de investigadores e fruto de uma boa formação, o “machismo” ou retrato feminino exagerado e o gosto pela diferença vão sucumbindo, verificando-se o início de uma uniformização entre géneros.
Parece-nos óbvio, banal e normal que estas conceptualizações existam desde dos primórdios, onde o homem primitivo caçava e a mulher cuidava da descendência, das peles e de outras tarefas descartadas pelo desinteresse masculino. Para descanso meu, vou constatando um factor de desenvolvimento, um padrão de uniformização que vai aniquilando diferenças estereotipadas, começando por uma educação em regime misto, roupas semelhantes, estilo de penteados idênticos, interesses comuns e mais. Não significa que os homens estejam a ficar ”panascas” ou a perder a sua masculinidade, simplesmente vão vestindo o “rosa”, despedindo-se do preconceito e da diferenciação infundamentada. Feliz por ser homem, feliz por não ter embrenhado no exagero.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sabor da Juventude


Tendenciosamente, olhamos para a nossa juventude com um sentimento nostálgico comparando-a com os novos moços e moças que passam por nós na sua algazarra denunciante. E, é então que emitimos para nós mesmos ou para os nossos: “Txi que deprimente, não éramos assim!”. Mentira!!! Jovens todos fomos, uns mais, outros menos efusivos nas emoções de euforia ou depressivas que deflagram nos felizes anos que antecedem a adultez.
Independentemente da década em que possamos ter nascido e dos valores que nos possam ter impresso, um jovem é um jovem. Ser-se jovem é ser-se explorador nato! Vemo-nos explodir em transformações ambivalentes (que agradam e desagradam o nosso agrado), partilhamos dúvidas, sentimentos, conquistas, arranjamos e resolvemos problemas.
Felizes pilosidades faciais e diversas que começam a germinar de uma pele primária e nos começam a demarcar do gatinhar infantil, encaminhando-nos na pré-adultez. É nesta idade que nos moldamos, acertamos e erramos em maior escala, fumamos o nosso primeiro cigarro e bebemos a nossa primeira cerveja, descobrimos o interesse ou sabor a sexo, gozamo-nos na nossa natureza, sempre envolvido numa inocência decrescente que nos responsabiliza cada vez mais pelas nossas desvirtudes.
Ser-se jovem é assim, e nenhuma moda ou evento social (que costumam marcar gerações) torna a juventude mutável. Independentemente dos marcadores que rotulam as diferentes juventudes, ser-se jovem terá sempre o feliz mistério e encanto. Olhar-se ao espelho e desatar em lágrimas por não se gostar do aspecto, dos complexos com o corpo, da oposição ideológica com os pais, do perspectivar futuro.
É aqui que nos marcamos, impulsionamos, sonhamos, para concretizar tudo isto nos restantes dias de existência que nos são oferecidos casualmente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Previsibilidade imprevisível


Somos seres extraordinários, mas onde a imprevisibilidade opera indubitavelmente. Temos, por norma, uma grande tendência para afirmar que nos conhecemos ou que conhecemos outros como a palma da nossa mão, o que faz ou não sentido dependendo do tipo de conceptualização que fazemos acerca do comportamento humano e da sua previsibilidade.
O conceito que em psicologia aborda este tipo de questões corresponde à personalidade. Durante algumas décadas foi-se questionando sobre a verdadeira natureza comportamental do Homem, refutando e refinando-se conjecturas sobre o tema. Apesar da vasta controvérsia e divisão de opiniões teóricas, o modelo que é actualmente aceite (Big five), postula que a personalidade é sustentada por 5 traços gerais: amabilidade; conscensiosidade; abertura à experiencia; extroversão e neuroticismo.
Apesar destes estarem presentes em grau variado em cada pessoa, permitindo a sua individualidade, não explicam todo o comportamento. Vejamos, temos sempre uma noção de como responderíamos a uma determinada situação estranha, por aproximação de uma situação semelhante pela qual já tivéssemos passado. Isto parece ser uma lacuna relevante que a psicologia da personalidade parece não poder (de momento) explicar. Daqui, o leitor poderá tirar as suas próprias conclusões, do mesmo modo que tirarei as minhas. Posto isto, não nos conhecemos totalmente, nem prevemos concretamente a nossa reacção relativamente a uma nova situação. Deste modo, será falacioso fazermos prognósticos como “nunca matarei”, uma vez que não sabemos como podemos reagir num contexto específico que nos coloque uma arma na mão e uma carga incondicional de fúria.
Pois é, afinal somos surpreendentemente complexos ao ponto de não nos conhecermos afincadamente. Se pensarmos nesta realidade e nos olharmos simultaneamente para um espelho, curiosamente sentir-nos-emos diferentes ou mesmo estranhos podendo ainda questionar as nossas próprias formas faciais que nos parecem substancialmente diferentes (um “eu” diferente). Isto acontecerá devido à redefinição do self e do padrão comportamental que estamos naquele preciso momento a realizar. Não sejamos egoístas ao ponto de conhecermos tudo sobre nós, deixemos alguma coisa para se ir descobrindo, para irmos explorando. É uma realidade inerente ao nosso próprio desenvolvimento. Vamo-nos fazendo, desfazendo, descobrindo um pouco do “eu” a cada dia.

Tudo tem um fim


Estamos em Outubro, mês este que se apresenta como exemplar para tirar umas pequenas férias junto a praia, ou desfrutar de um bom piquenique. Lembro que apesar do contentamento que possamos sentir, não se trata de algo natural devendo-se a um conjunto de inúmeros factores: emissão de clorofluorcarbonetos (CFC’s) responsáveis pela criação de radicais livres na atmosfera que, por sua vez, desintegram as molécula de ozono (O3) responsáveis pela protecção dos terráqueos; da própria evolução planetária e solar, expansão do universo e alteração nos campos magnéticos polares. Este tipo de informação é-nos oferecida pelos meios de comunicação que vão amenizando a seu jeito as catástrofes ditas “naturais” mas que em grande escala se devem à acção humana. O respeito pelo ambiente é uma das políticas que se tem vindo a desenvolver de modo crescente com preocupação nas gerações vindouras que com certeza sofrerão estas alterações mais do que nós apesar dos muitos esforços que se estão a fazer contra esse sentido. O fim do mundo é inevitável até mesmo porque as transformações irão aniquilar qualquer espécie de vida. Antes do final propriamente dito, qualquer espécie assistirá ao seu extermínio e depois, sim, o planeta mãe irá sucumbir, quiçá sob forma de explosão ou pela extinção do sol numa anã branca ou pela “lufada” de ventos solares. O que acaba por ser justo, o planeta criou-se primeiro e é possivelmente o último a oferecer resistência. Trata-se de um aspecto inevitavelmente interessante da humanidade e de qualquer outra forma viva. Vimos do nada e em nada vamos ficar. Por muito que se tente minimizar os danos, o fim do mundo é uma realidade dentro de um paradoxo de irrealidade! Sim, porque se acabarmos, o que será do resto do universo (que por muito que se tenha investigado, nada sabemos senão da descoberta de alguns planetas e da expansão deste)? Haverá um fim (fronteira) ou será um contínuum (difícil de entender)? Talvez seja por termos esta noção que deixamos as coisa ao acaso e nos desleixamos não adoptando medida preventivas como: reciclar; reutilizar; utilizar os transportes públicos; minimizar a utilização de sprays domésticos contendo CFC’s; evitar os gastos desmesurados de água e electricidade…por aí adiante.
Estamos em estado emergente e, apesar de tudo, podemo-nos dar por felizes por estarmos na Europa e ainda não sentirmos de forma significativa esta alterações e maior incidência de fenómenos naturais devastadores para além destas estações cada vez mais atípicas. Mais sorte temos por não habitarmos as regiões glaciares, pois neste momento já não teríamos chão (literalmente) e de nada nos valeria o rendimento social de reinserção. Sempre poderíamos investir numa plataforma flutuante e arsenal de pesca de última geração em detrimento de um novo iphone ou carro de luxo!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Preso por ter e por não ter"


Uma dúvida com a qual nos vamos deparando ao longo da nossa efémera vida é que, independentemente dos esforços desmedidos que possamos fazer, nunca conseguiremos agradar todas as pessoas que temos por significativas. Há indivíduos que dão grande importância ao bem estar e prazer dos outros (geralmente pessoas mais próximas), raramente se opondo, permitindo um clima ameno, sem contrariedades. Isto gera um conjunto promissor de vantagens: o espírito grupal ganha e mantém coesão; o risco de frustração face a contrariedade é reduzido ou mesmo inexistente; recebendo-se ainda uma quantidade generosa de elogios que, no fundo, constituem agradecimentos por sermos porreiros e concordarmos com eles.
É claro que nem sempre dá para respeitar a vontade de todos, apesar de querermos muito, sendo também necessário, para a própria organização pessoal, opor-se e argumentar a nossa vontade contraditória. Mas nem sempre esta oposição é levada em consideração, isto, porque ocorre aquilo que designaria por padrão de habituação onde as pessoas não esperam resistência daquela parte integrante. A partir deste momento podem gerar-se dois tipos distintos de resposta: concordar ou contra-argumentar o ponto de vista da pessoa “pouco exigente” num clima de concórdia, o que trará grande satisfação de respeito; ou, num caso mais conturbado, o grupo está tão mimado pela falta de opinião da sua parte que não levam a sério a sugestão que possa ter feito.
O indivíduo, tendo em conta a forma como o grupo responde, poderá reforçar tanto a sua individualidade de opiniões como o seu conformismo, no intento de evitar qualquer conflito futuro. As dinâmicas de grupo são concomitantes ao nosso quotidiano nos diferentes grupos, onde desenvolvemos aptidões diferenciadas, podendo-nos ser mais fácil entender uns fenómenos do que outros.

Sexo Descomprometido à Portuguesa


Provavelmente muitos de nós (não no meu caso) já experienciou uma noite de “engate” ou de “curtição” que duraram não mais que uma noite! Não posso proferir muito acerca deste tema por não o ter vivido, mas posso concluir alguns pontos da experiência de terceiros que me foi adiantada. O que me parece um ponto de partida é que, se alguma coisa sucede, dá-se por vontade ou desinibição consensual. Confesso que até bem pouco tempo não conhecia esta realidade que é cada vez mais nossa. Tinha este fenómeno como frequente noutras culturas, mas agora tenho a prova que os “amassos” e o sexo descomprometido também se fazem à portuguesa, cá dentro ou lá fora. Fora qualquer julgamento, não condeno as pessoas que passaram por essa experiencia, até porque não existe nada de contranatura em desenvolver os papéis de macho e fêmea que nos foram designados.
Tenho alguma duvidas se se poderá teorizar sobre este fenómeno social ou se já existe alguma literatura científica. Mas parece-me claro que não é necessário um grau de intimidade ou conhecimento muito apurado acerca de uma pessoa para levar a cabo relações sexuais com a mesma. Talvez seja essa a principal vantagem: não se saber nada a respeito da outra pessoa, sabendo que não se estão a fazer apostas para além daquela que fazemos na degustação libidinosa; não se fica frustrado ou culposo se não conseguirmos tirar o máximo partido.
Por outro lado, se a experiência for exímia, é sempre algo que podemos vir a repetir nos dias que se seguem ou simplesmente sempre que o desejo despoletar. Mas isto nem sempre se dá de forma linear, isto porque um relação séria pode ser fruto deste tipo de casualidade sexual. O proveito é satisfatoriamente consensual e começam-se gradualmente a descobrir outras facetas do parceiro, podendo resultar uma relação de compromisso.
Este fenómeno está em voga, devendo-se em parte, à aculturação, aproximando-nos cada vez mais às práticas sociais da Europa central e de leste. O ponto conclusivo desta metanálise, com base na experiência alheia, baseia-se na premissa central que há maior probabilidade num acontecimento isolado deixar recordações felizes e didácticas para futuras relações.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Luxo Pouco Ergonómico


Como podemos presenciar, há uma preocupação crescente em agradar os clientes das mais variadas áreas comerciais que têm por finalidade lutar pela satisfação, envolvendo-os num ambiente acolhedor e aprazível. É óbvio que tudo se sustenta na filosofia que se o cliente estiver satisfeito maior será a probabilidade de vir a consumir e em maiores quantidades. Porém, tudo tem um limite! Por vezes a vontade de acolher torna-se mesmo excessiva, incomodativa, podendo em casos extremos, violar a intimidade do consumidor.
Sei que nestas linhas gerais, não dá para entender o que quero proferir, por isso, passo a exemplos práticos. Todos já tivemos a sensação de entrar numa loja só com intento de ver e, somos rapidamente abordados por pessoas preocupadas em saber se necessitamos de ajuda. Parece-me claro que se precisa-se ou tivesse qualquer dúvida acerca do produto disporia da disponibilidade a que se prestam. Gosto de ver, experimentar e analisar a etiqueta que pode fazer a diferença entre a aquisição de um novo casaco! Não me considero um comerciante por não o ser de facto, porém dedico-me à supervisão de um stand automóvel em tempos livres e tenho por hábito respeitar a liberdade do cliente, deixando-o deambular entre as carroçarias e apenas intervir quando solicitado para alguma dúvida ou caracterização pormenorizada (apesar de não ser um grande “expert” sobre matéria automóvel) . Em parte, posso vangloriar-me que respeito a política do bom comércio. Como consumidor, detesto sentir-me persuadido, sendo mais provável fazer compras em lojas que me deixam passear, “namorar” a minha próxima camisola ou par de sapatos! Humm…como adoro lojas.
Bom, isto é apenas um primeiro exemplo. Outro exemplo é referente às casas de banho de luxo! Existem nalguns hotéis, casinos e restaurantes chiques...anyway! Foi precisamente numa casa de banho dita de luxo, mas pouco ergonómica, que tive a minha pior experiência de micção. Havia divisórias relativamente baixas (pela cinta e meço 1,72m) já por si constrangedoras acompanhadas de um espelho único que ligava todos os urinóis. Foi-me inútil fazer qualquer esforço para ver o pénis de um desconhecido posicionado à dois urinóis de distância, sendo-me oferecido de bandeja (entenda-se o sentido figurado, luxo mas nem tanto)! Fiquei indignado mas não fui capaz de fazer qualquer reclamação. Não fui lesado, mas tal como eu, outras pessoas poderão sentir-se desconfortáveis ou observadas, assistindo e fazendo parte de um comício de comparação peniana. Parece-me que, mais que nunca, se tenta inventar ( muito longe do inovar) cometendo grandes erros que impossibilitam qualquer possível simbiose entre a arquitectura decorativa e a ergonomia.
Outro exemplo que gostaria de recordar ocorre na maior parte dos restaurantes que, apesar da controvérsia acerca das entradas nos surgem à mesa mesmo sem as termos pedido. Sinto que continuam a querer “impingir-nos” coisas comestíveis para lograr um pouco mais na conta final. Diga-se numa breve referência que são precisamente nas entradas que conseguem tirar mais lucros. Por isso, tenho por opção evitar essas casas que por erro meu as fui conhecendo, optando por outro locais que respeitam a minha liberdade.
Outra inovação são as televisões ou mini plasmas nos urinóis de alguns centros comerciais que constituem logo á partida uma tremenda injustiça com as portadoras do sexo feminino que não desfrutam da qualidade publicitária das várias lojas que o shopping possui ou então do resultado futebolístico. Porreiro e sentado, dada esta contribuição, seria a existência destes “ pequenos revolucionários” da laxação embutidos nas portas sanitárias, para que as mulheres pudessem acompanhar as ultimas peripécias da novela.
Pensando melhor, acho que estes mini plasmas desempenhariam uma função crucial nas casas de banho cujas divisórias dão pela cinta e são adornadas por um espelho contínuo. Sempre não cairíamos no acidente ou tentação, para outros, em ver a masculinidade da vizinhança.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conflitos Intergeracionais


É do conhecimento generalizado que os “tempos” mudam. E não é só o tempo ou as gerações em termos cronológicos, mas panóplia de valores inerentes. Este fenómeno intergeracional verifica-se em todas as culturas, numas mais noutras menos de forma mais ou menos pacífica. Tudo isto depende não apenas da cultura em que se viveu, mas principalmente por aquilo que defino de flexibilidade pessoal. Sem descorar qualquer preferência pelos “outros tempos”, saudosamente recordados pelos mais antigos, deve subsistir (na minha opinião) a capacidade de discernir o que é sensato/correcto daquilo que muitas vezes constitui um conservadorismo excessivo.

O tempo “mudou” porque as pessoas assim o vêem. Não se terá alterado assim tanto, provavelmente sucedeu-se uma pequena evolução a nível social, havendo uma maior aceitação de fenómenos sociais que sempre persistiram. Basta pensarmos que o tema da homossexualidade é encarado gratuitamente como uma psicopatologia pelos nossos avós ou até mesmo pelos nossos pais. Esta inflexibilidade deve-se na maioria das vezes pela ausência de raciocínio individual sobre o assunto, sendo encontrado suporte explicativo sobre o tema naquilo que é gratuito e envolve pouco esforço (conformismo religioso). Não obstante, a homossexualidade e o sexo antes do casamento, temas avassaladores para os seguidores devotos, são bem mais antigas que Cristo, constituindo até mesmo estatuto (no caso da homossexualidade) na Grécia antiga. É patente que isto sempre existiu e em nada nos irá prejudicar ou criar diferenças. Porém, o cepticismo cria a desigualdade e desconforto ilusório quando este tipo de naturezas acontece. Eventualmente haverão pessoas que façam questão de se preservarem castas até ao casamento, respeitando isso. É uma decisão pessoal do mesmo modo que o sexo consentido é, não lhe sendo indispensável qualquer ministério administrado pelo divino.

Trata-se de uma carência a nível do exercício mental, de pensar por si, sendo mais propenso incorrer no facilitismo em meios rurais com níveis mais elevados de aliteracia. Convém sublinhar que esta variável é facilitadora mas não se encontra directamente associada.

O que me parece conclusivo é que sempre foi mais fácil, menos árduo adoptar como crenças imutáveis os “ensinamentos” pregados por um sacerdote tendo por fonte um compêndio falacioso e metafórico de 1357 páginas, cansado de mutações e reformulações, exigindo interpretações subjectivas, continuando a ser “felizmente” o mais vendido. Parece inevitável acreditar nalgo superior, mas não o devemos fazer da forma mais fácil, é preciso ser-se crítico, elaborarmos a nossa própria explicação acerca do mundo e acredito que se o fizermos nos sentiremos salvos a mesma. Elaborada uma explicação própria, acredito que será mais fácil compreender aquilo que tantos têm por assimetrias da vida. Recorrendo ao raciocínio arcaico e ao conceito de “perfeição” (ser perfeito entenda-se aquele devoto que segue à risca a doutrina), se o divino fizesse tanta questão, já nos teria feito de acordo com essas directrizes. Deste modo, se não o fez, significa que este conceito perfeccionista é uma criação arcaica, devendo aceitar o que é natural.

Fora qualquer generalização, existem pessoas de outras gerações que sempre pensaram de forma crítica, por si. Na actualidade esse exercício é fácil de levar a cabo, o individuo cresce, recebe as mais variadas instruções e elabora o seu próprio raciocínio crítico sobre o mundo que o rodeia. Apesar de tudo, nada nos garante que os conflitos intergeracionais se extingam, sendo bem provável que subsistem, discriminando formas arcaicas de novos pensadores através de um processo natural de evolução social.

Imprevisibilidades


Sempre sonhamos com os nossos maiores desejos se tornarem realidade, porém o que acontece, na maior parte das vezes, é que eles não sucedem da forma como planeávamos. Por vezes ficamos assim, dando-nos por satisfeitos com o que conseguimos ou então lutámos pela perfeição para obtermos os resultados esperados. Ainda bem que isto acontece! Já pensaram como seria se todos os nosso desejos se realizassem?! Claro, à primeira vista seria um fenómeno pelo qual todos queríamos passar! Mas gosto de pensar que esta ambição não é mais que um estado ilusório, pois acabaríamos por arranjar qualquer coisa para argumentar a nossa insatisfação. Isto sucede-se, segundo o meu ponto de vista, porque o Homem tem a necessidade de optimizar-se ao longo do seu desenvolvimento, aproximando-se cada vez mais dos seu objectivos, dos seus ideais. Assim, sempre que conseguimos uma conquista, rapidamente redireccionamos os nossos esforços para o tópico seguinte da nossa “lista”, caminhando para a perfeição idealizada daquilo que queremos (mas que egoístas!). Na segunda hipótese, o que acontece, é que aquilo que conseguimos não nos é satisfatório por não corresponder às expectativas. Então rapidamente descartamos o feito e recomeçamos à luta por melhores resultados. Pois é, somos uns eternos (até ao final da nossa vida) insatisfeitos. Mas é precisamente esta insatisfação, imprevisibilidade, impossibilidade de controlar o que nos circunde que nos dá alento, nos obriga a “carburar” para conseguirmos o que ansiamos. Por isso, um conselho, experimentemos, vivemos, mas façamo-lo de uma forma desafogada tirando sempre o máximo proveito. Sejamos uns felizes insatisfeitos!