sábado, 19 de setembro de 2009

Aos caloiros!

Esta semana saíram os resultados das candidaturas de acesso ao ensino superior. Começa mais um não lectivo, mais alunos ingressam no tão desejado mundo académico... Lembro-me do dia em que me fui inscrever na Universidade, das expectativas que criei em relação àquele que me garantiam que seria o melhor ano da minha vida, da ansiedade por viver a magia de um ambiente académico descrita por outras pessoas... No final desse ano pude afirmar que as minhas expectativas foram superadas e ao fim de uns anos continuo a afirmar que foi de facto o melhor ano da minha vida.
Para uma miúda de 18 anos com uma vida resumida aos estudos, foi como se me tivessem entregue a minha carta de alforria, o passaporte para uma vida (quase) independente, numa cidade tão maior e mais apetecível que a minha...e como se não bastasse, levava comigo a minha melhor amiga para viver comigo num apartamento só nosso - o sonho de qualquer adolescente!
As tão malfadadas praxes que, para quem está de fora não passam de cerveja a mais e um monte de figuras tristes e humilhações a que os pobres caloiros são submetidos, para nós não eram mais que uma sensação de liberdade, de poder fazer quase tudo que normalmente seria impensável e que naquelas circunstâncias era perfeitamente tolerável e compreensível, porque ("coitadinhos!") tínhamos de obedecer aos Srs.doutores; era o orgulho e o sentimento indescritível de pertencer ao (melhor!) curso e à (melhor!) Academia, pelos quais gritávamos convicta e fervorosamente até onde as gargantas nos permitiam; era a camaradagem e os valores de solidariedade e união que, desde cedo, os "maléficos" doutores se preocuparam em nos incutir... Lembro-me do fascínio e da ingenuidade que ainda trazia da adolescência perante um mundo novo por explorar, das noites de borga, da minha primeira bebedeira, dos jantares de curso, das 'cantilenas' que cantávamos na praxe, das tardes na esplanada, das cerimónias tradicionalmente académicas, dos jantares com as meninas lá de casa e as conversas disparatadas que se seguiam, da primeira vez que ouvi uma tuna, da primeira vez que trajei, da ânsia de querer aproveitar ao máximo uma experiência de vida que eu tinha noção que não se repetiria... e de facto não se repetiu. Por muito fantásticos que tenham sido os anos que se seguiram (porque não há mesmo vida como a de estudante), nenhum se compara ao ano de caloiro! Não dá para sentir de novo o que só a dita ingenuidade da adolescência nos permite, não podemos ser praxados novamente e sentir aquela sensação de liberdade e até de irresponsabilidade, não dá para reviver todas as novas experiências com sabor a mágica que só um contexto universitário nos permite... Restam-nos as lembranças, as saudades, a nostalgia e a certeza de que valeu a pena.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Enamorar antes de namorar


Após algum tempo de namoro, dei por mim a pensar no quão feliz sou, mas também saudoso por aquilo que certamente não voltarei a ter. Certamente que não estou a falar de sexo porque isso é um exercício que o médico me recomendou sempre que posso, mas da fase mágica do enamoramento! É a fase que antecede o período propriamente dito de namoro e é caracterizada por um período de interesse e conhecimento mútuo em que ambos os elementos da díade amorosa se apaixonam e está mais que visto que vai rolar! No entanto, por parecer mal ou por simples medo ou cautela não avançam logo, reprimindo desejos singelos como um simples beijo ou abraço apertado.Lembro-me do meu enamoramento, estava apaixonadíssimo e senti que a minha actual companheira também estava. Apesar de nunca ter dito nenhuma relação antes desta, é algo que me parece inato, que se sente, ou simplesmente que se sabe pela mediação de vários sinais. Apesar de ser uma fase pela qual toda gente deveria passar esta não é universal (infelizmente)! Os que têm o prazer de a “saborear” podem ter um espectro distinto: podem fazer coisas e terem durações distintas. A minha fase de enamoramento durou cerca de um mês e confesso que já desesperava por tocar naqueles lábios! Tenho conhecimento de algumas que duraram menos e outras mais, terminando sempre numa relação segura. Parece-me um período importantíssimo em que as duas pessoas se conhecem, fazem coisas juntos (encontros de café, cinema, campismo, encontros dissimulados entre amigos comuns, entre outras) e vêem realmente como podem funcionar em conjunto. Se por ventura não se passar por esta fase (que aconselho), surgirão algumas surpresas provavelmente! Mas essa inconsequência deve ser mais típica da adolescência em que as hormonas falam mais alto e parece tudo tão fácil. Não existe arrependimento, onde prevalece um pensamento ainda muito infantilizado de relação.Àqueles que não passam da fase de enamoramento porque algo os assustou ou facilmente os fez recuar, restam-lhes duas soluções…..continuam a ser óptimos companheiros de café ou deixam-se levar por aquilo que já sentem e conhecem um do outro. O enamoramento permite desenvolver competência de cumplicidade, confiança em si mesmo e no outro, alguma intimidade e reforçar a impressão inicial que se tem por ela /(e). Não sou arrojado ao ponto de aconselhar, mas deixo a minha feliz e saudosa experiência que, sem dúvida, todos deveriam enamorar antes de namorar!

Medicina: ciência ou estatuto?


Um dia destes estava num salão de chá e não pude deixar de reparar num assunto que me deixou um pouco conturbado. Tratava-se de uma cliente habitual que estava a contar a sua decepção por não ter entrado em medicina na Faculdade de Medicina do Porto. Apesar de tudo, conseguiu uma vaga no curso de psicologia na mesma universidade, alegando que seria melhor um ano em psicologia até realizar as melhorias para o próximo concurso. Até aqui tudo bem! É um processo que muitos alunos utilizam para não ficarem parados um ano inteiro. Porém, na sua agonia, acabou por proferir que, o curso escolhido, não lhe daria muitas oportunidades profissionais. Até aqui tudo bem, apesar de discordar! O pior da conversa de café estaria para vir quando a futura senhora doutora decidiu "enxovalhar" os psicólogos. Começou com uma conversa banhada de preconceitos, justificando que a medicina lhe daria mais "estatuto" do que a psicologia e que a psicologia não é tão bem vista como a primeira. Não me faltou vontade de fazer parte dessa pequena conversa, mas era tão cúmplice que achei melhor não destruir esse bonito sentimento. Não desconstruo nada daquilo que a menina possa ter dito, uma vez que ela retrata muito bem o senso comum acerca da Psicologia como ciência e da dúvida que subsiste acerca da sua utilidade na vida quotidiana. Se me fosse concedido espaço de discussão no pequeno diálogo a dois diria apenas que tal como a medicina, a psicologia mostra-se vital. Isso verifica-se nos mais variados contextos, seja ele na prevenção e terapia de pequenos problemas pessoais, terapia de casal, intervenção em catástrofes, e outras tragédias. Mas a psicologia é muito mais! Ela não se circunscreve à vertente clínica. A psicologia também dá o seu forte contributo no âmbito da justiça, da educação, do desporto, do estudo do comportamento humano, da investigação...e mais!
Sem querer redireccionar críticas e na minha mais profunda imparcialidade poderia dizer que a alguns profissionais da medicina falta precisamente alguma componente psicológica, mais humanística em detrimento dos diagnósticos céleres e mecanizados que muitas vezes são levados a cabo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Micro, pequenos e médios mas sempre grandes amigos!


Lembrei-me de dedicar este post aos amigos e à amizade, precisamente por ser um dia feliz para um deles! Sim, porque um bom amigo é como um irmão. Pitoresco! Os grandes amigos nunca são muitos, não passando, em generalidade, de dois ou três e nunca ultrapassando um punhado. Na verdade, mais valem poucos e extraordinários do que muitos e "rascos", pelos quais não daríamos um vintém!
Não existe uma definição justa que permita caracterizar os bons amigos. São aqueles que, mesmo que por breves instantes, nos acompanham nos momentos mais tristes, mais alegres, mais hilariantes... aqueles que dizem "a tua namorada é mesmo boa!", capazes de tudo (ou quase tudo). São aqueles que tentam não se dissuadirem entre uma noite escaldante com a namorada, que comprou um lingerie nova para arrancarmos com os dentes, e um café repleto de novidades fresquinhas. Mas como bons amigos que são, conseguem sempre conciliar as duas coisas, conseguindo uma mistura estonteantemente excitante que se resume a partilhar as novidades e ter uma noite cheia de exercício libidinoso, colmatando num adormecer a dois!
A amizade é isto, sentir que não se perde nem de um lado nem do outro, que independentemente do que façamos lá estarão aqueles dois ou três com um sorriso nos lábios, com vontade de nos abraçar, quiçá surpreender com um beijo e ainda pagar um café!...
Aos bons amigos!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O conceito de "dinheiro mal gasto"



É curioso como o conceito de "dinheiro mal gasto" varia tanto de pessoa para pessoa... A condição financeira de cada um é sem dúvida um factor determinante, mas acho que os gostos pessoais e as prioridades que cada pessoa estipula para si influenciam ainda mais o conceito que cada um tem de "dinheiro mal gasto". Ontem estava ao telefone com uma amiga e estávamos as duas com dilemas muito semelhantes, mas por coisas completamente diferentes. Ela tem um casamento "chiquérrimo", precisa de um vestido "à altura" e o mais barato que conseguiu encontrar custa 150€...É muito dinheiro por um vestido (pelo menos para nós), mas tendo em conta os valores praticados na loja em questão, é uma "pechincha". Ora, eu nunca na vida daria esse dinheiro por um vestido! Muito menos (só!) para ir a um casamento. No entanto, estou prestes a dar um valor semelhante por um gato persa...o que também é uma pechincha tendo em conta o preço normal destes bichanos. Ora, também ela jamais gastaria esse dinheiro num gato! Já o meu pai, por exemplo, teria um ataque do coração se soubesse quanto eu tenciono gastar com o gato ou se eu desse tanto dinheiro por um vestido, mas se calhar não acharia "dinheiro mal gasto" se se tratasse de uma jantarada com os amigos. A verdade é que, com mais ou com menos possibilidades económicas, todos nós cometemos por vezes pequenas ou grandes 'loucuras' (proporcionais ao orçamento de cada um), mas que significam muito para nós e valem o que outros chamarão de "dinheiro mal gasto".

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Verdadeiro ou falso?


Estes dias dei por mim a imaginar como seria se pintasse o cabelo de loiro, colocasse uns implantes mamários, lentes de contacto azuis, começasse a frequentar o solário para estar sempre bronzeada... não sei bem como ficaria, nem sei se ficaria bem, mas sem dúvida ficaria mais "vistosa"! Mas será que continuaria a ser mesmo eu? É estanho pensar como hoje em dia é tão fácil e tão frequente fazer mudanças tão radicais na aparência de uma pessoa... Sem dúvida uma mais valia para melhorar a auto-estima e aguçar o ego, mas leva-nos a questionar muitas vezes o que é verdadeiro e o que é falso. A verdade é que cada vez conheço menos mulheres cuja cor de cabelo seja natural, os solários são um negócio a crescer de vento em popa e os implantes mamários até já são financiados pela 'caixa' (!!) - parece que os complexos causados por um peito pequeno são considerados um problema de saúde, na medida em que levam a distúrbios psicológicos. Não tenho nada contra cirurgias plásticas ou qualquer tipo de alteração estética - pelo contrário, concordo que cada um deva fazer tudo que possa e ache necessário para se sentir bem com o seu corpo- ,mas não dá para deixar de pensar no quão banalizadas estas alterações se têm tornado e nos casos que se ouvem de cirurgias que correm mal e que por vezes acabam por piorar a aparência das pessoas ou, mais grave ainda, trazem problemas de saúde a sério! As facilidades são tantas que as pessoas preferem fazer uma lipo-aspiração a fazer uma dieta. Acho que um dia destes também vou ao médico falar dos meus complexos com a celulite e no quanto esta me afecta psicologicamente para ver se também me financiam um tratamento estético...