quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Medicina: ciência ou estatuto?


Um dia destes estava num salão de chá e não pude deixar de reparar num assunto que me deixou um pouco conturbado. Tratava-se de uma cliente habitual que estava a contar a sua decepção por não ter entrado em medicina na Faculdade de Medicina do Porto. Apesar de tudo, conseguiu uma vaga no curso de psicologia na mesma universidade, alegando que seria melhor um ano em psicologia até realizar as melhorias para o próximo concurso. Até aqui tudo bem! É um processo que muitos alunos utilizam para não ficarem parados um ano inteiro. Porém, na sua agonia, acabou por proferir que, o curso escolhido, não lhe daria muitas oportunidades profissionais. Até aqui tudo bem, apesar de discordar! O pior da conversa de café estaria para vir quando a futura senhora doutora decidiu "enxovalhar" os psicólogos. Começou com uma conversa banhada de preconceitos, justificando que a medicina lhe daria mais "estatuto" do que a psicologia e que a psicologia não é tão bem vista como a primeira. Não me faltou vontade de fazer parte dessa pequena conversa, mas era tão cúmplice que achei melhor não destruir esse bonito sentimento. Não desconstruo nada daquilo que a menina possa ter dito, uma vez que ela retrata muito bem o senso comum acerca da Psicologia como ciência e da dúvida que subsiste acerca da sua utilidade na vida quotidiana. Se me fosse concedido espaço de discussão no pequeno diálogo a dois diria apenas que tal como a medicina, a psicologia mostra-se vital. Isso verifica-se nos mais variados contextos, seja ele na prevenção e terapia de pequenos problemas pessoais, terapia de casal, intervenção em catástrofes, e outras tragédias. Mas a psicologia é muito mais! Ela não se circunscreve à vertente clínica. A psicologia também dá o seu forte contributo no âmbito da justiça, da educação, do desporto, do estudo do comportamento humano, da investigação...e mais!
Sem querer redireccionar críticas e na minha mais profunda imparcialidade poderia dizer que a alguns profissionais da medicina falta precisamente alguma componente psicológica, mais humanística em detrimento dos diagnósticos céleres e mecanizados que muitas vezes são levados a cabo.

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