Esta semana saíram os resultados das candidaturas de acesso ao ensino superior. Começa mais um não lectivo, mais alunos ingressam no tão desejado mundo académico... Lembro-me do dia em que me fui inscrever na Universidade, das expectativas que criei em relação àquele que me garantiam que seria o melhor ano da minha vida, da ansiedade por viver a magia de um ambiente académico descrita por outras pessoas... No final desse ano pude afirmar que as minhas expectativas foram superadas e ao fim de uns anos continuo a afirmar que foi de facto o melhor ano da minha vida.
Para uma miúda de 18 anos com uma vida resumida aos estudos, foi como se me tivessem entregue a minha carta de alforria, o passaporte para uma vida (quase) independente, numa cidade tão maior e mais apetecível que a minha...e como se não bastasse, levava comigo a minha melhor amiga para viver comigo num apartamento só nosso - o sonho de qualquer adolescente!
As tão malfadadas praxes que, para quem está de fora não passam de cerveja a mais e um monte de figuras tristes e humilhações a que os pobres caloiros são submetidos, para nós não eram mais que uma sensação de liberdade, de poder fazer quase tudo que normalmente seria impensável e que naquelas circunstâncias era perfeitamente tolerável e compreensível, porque ("coitadinhos!") tínhamos de obedecer aos Srs.doutores; era o orgulho e o sentimento indescritível de pertencer ao (melhor!) curso e à (melhor!) Academia, pelos quais gritávamos convicta e fervorosamente até onde as gargantas nos permitiam; era a camaradagem e os valores de solidariedade e união que, desde cedo, os "maléficos" doutores se preocuparam em nos incutir... Lembro-me do fascínio e da ingenuidade que ainda trazia da adolescência perante um mundo novo por explorar, das noites de borga, da minha primeira bebedeira, dos jantares de curso, das 'cantilenas' que cantávamos na praxe, das tardes na esplanada, das cerimónias tradicionalmente académicas, dos jantares com as meninas lá de casa e as conversas disparatadas que se seguiam, da primeira vez que ouvi uma tuna, da primeira vez que trajei, da ânsia de querer aproveitar ao máximo uma experiência de vida que eu tinha noção que não se repetiria... e de facto não se repetiu. Por muito fantásticos que tenham sido os anos que se seguiram (porque não há mesmo vida como a de estudante), nenhum se compara ao ano de caloiro! Não dá para sentir de novo o que só a dita ingenuidade da adolescência nos permite, não podemos ser praxados novamente e sentir aquela sensação de liberdade e até de irresponsabilidade, não dá para reviver todas as novas experiências com sabor a mágica que só um contexto universitário nos permite... Restam-nos as lembranças, as saudades, a nostalgia e a certeza de que valeu a pena.
sábado, 19 de setembro de 2009
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