domingo, 7 de fevereiro de 2010

O primeiro salário


A minha professora de tradução - um dos meus grandes ídolos - costumava dizer que o nosso primeiro salário deve ser para comprar algo que queremos muito, um presente para nós mesmos, um capricho, uma forma de valorizar o nosso trabalho e os respectivos frutos - uma espécie de auto-incentivo. Com a tradução da sua primeira grande obra, ela comprou um casaco de peles (ninguém é perfeito...) e eu desde sempre disse que compraria o meu tão desejado gato persa (também tem muito pêlo, mas está vivo!). Eu ainda não traduzi a minha primeira grande obra e não foi logo com o meu primeiro salário mas, ao fim de alguns meses de procura, aqui está a minha Fufu, o meu pequeno-grande sonho em forma de gato, para provar que de facto vale a pena esperar e que, sim, também é saudável ter alguns caprichos que nos fazem felizes....

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Futilidades


Um dia deste deparei-me com uma dúvida acerca daquilo que podemos considerar fútil. Estava num dos meus cafés filosóficos com um grande amigo e entre conversas sobre lascividade, luxos desnecessários, veio o termo “futilidade”. Segundo o dicionário de Língua Portuguesa: “qualidade do que tem pouco ou nenhum valor; carácter de quem dá muita importância ao que é insignificante ou inútil; frivolidade; bagatela; superficialidade”. Seguramente que estávamos a empregar bem o termo. Contudo o cerne da questão era discernir o que pode ser ou não considerado fútil. Inevitavelmente, temos a língua comprida e, podemos apontar como futilidade as aquisições e cuidados de pessoas que geralmente não gostamos ou até mesmo de bons amigos. Trata-se de uma palavra bonita com uma fonética gracejante, que nos dá erudição e pronto, fica-nos bem! Usámo-la frequentemente como detonador para começar a “cascar” críticas sobre alguém: “Ai….que futilidade”, “Isso é futilidade dele”, “Ui!! Não sou assim tão fútil”, “És mesmo fútil”, enfim. Mas o que me parece fundamental é ter noção que aquilo que nos é fútil não o será certamente para a pessoa que aos nossos olhos se dá ao presumível luxo. Certamente, a aquisição de um novo computador quando já se possui um, poderá aos olhos de terceiros ser considerado uma futilidade. Contudo, para quem o adquiriu poderá ser a compra mais justificável que já fizera, por ter características melhoradas ou pelo facto do outro estar a dar o berro! No final do nosso pequeno diálogo, concluímos que geralmente não usamos o termo para nos referirmos ao acervo de características pessoais que orientam à aquisição dos bens, mas antes como uma ilustração de desdém, desprezo ou de resignação acerca de actos alheios que vemos como desnecessários.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Medidas


Somos uns analistas/observadores cada vez mais refinados, mas com algumas diferenças. Basta fazermos um pequeno exercício de reminiscência e pensar no que fazemos quando vemos uma pessoa a entrar num café onde já estamos ou noutro contexto qualquer. Acho que é comummente tirarmos as medidas, passarmos a pente fino a pessoa sob o nosso olhar crítico, emitindo para nós próprios pensamentos e conclusões evidentemente precipitadas sobre essa pessoa. Perante este julgamento sumário, deparamo-nos com algumas diferenças entre géneros. Julgo que por critérios de ordem socioculturais incrementados desde cedo, fruto de uma leviandade fútil, a mulher tem por critérios, essencialmente, a forma como a observada (tendo como exemplo prático uma mulher) se veste (desde de acessórios, roupa, calçado), avaliam o “make up” e a postura. Já o homem valoriza a forma corporal aparente e o rosto na esperança de inferir algumas características pessoais. Simpatia, afabilidade, sociabilidade são geralmente as mais cotadas. Porém, atributos contrários podem ser associados ao “objecto de estudo” dependendo da sua “entrada” e interacções que estabelece com os outros. Será indispensável dizer que uma mulher que sorria, que interaja moderadamente e que demonstre uma postura sempre activa é mais valorizada neste processo de primeiras impressões do que uma “apagadita” ou que está mesmo resmungona, que se considera dona de tudo e a rainha da festa. Mas o que elas não sabem é que a conjugação de um corpo “hot hot” com uma postura altiva faz com que o sexo oposto considere aquela criatura obsoleta, não merecedora da sua beleza, desconsiderando qualquer possível abordagem com o corpinho danone com p.d.m.
Em suma, não existem muitas diferenças inter-géneros, ambos fazem a mesma coisa mas valorizando critérios distintos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Multi-funcionalidade Feminina



Não será cruel da minha parte dedicar especial enfoque à multi-funcionalidade feminina por uma razão óbvia. Vejamos por exemplo, por diversas razões, a beleza masculina não é tão rigorosa como a feminina. Vemos frequentemente uma mulher explosivamente bela acompanhada por um namorado ou marido não propriamente “equivalente” e merecedora dela (pura tenacidade, estas coisas nem se deveriam pensar). Mas socialmente este tipo de constatação nem se questiona, é normal, é fruto social. Ao longo do tempo tem-se tornado normal o homem ter o desconto promocional da idade e da barriguita, justificado pelo peso de um corpo que labutou bastante para prestar conforto à princesa e aos seus e, por isso, pode regozijar-se da boa cerveja portuguesa e dos nossos óptimos enchidos! Mas este é o único desconto ao qual a mulher não tem direito (daí ter rebaixa 1º. e 2º. Vez!). A mulher tem de corresponder idealisticamente àquilo que os teóricos na matéria apelidam de supermulher: profissionalmente competente, responsável pela lida da casa, por desenvolver um papel maioritário e preponderante na educação dos filhos sem nunca deixar de ser uma brasa.
É óbvio que esse tipo de conceptualização e crenças subjacentes estão completamente démodé e pelo bom senso e respeito à humanidade nem deveriam subsistir. Protagonizadora destes ideais machistas, a igreja revelou o seu grande contributo, atribuindo um papel divinalmente secundário e servidora à mulher com excepção da santa! Porém, as coisas têm melhorado graças aos movimentos feministas e outros esforços pela “igualdade” (palavra que detesto neste contexto, só por aludir para a hipotética diferenciação). Aceito mais aquilo que apelido de uniformização dos sexos! O termo igualdade alerta ou dá impressão que o homem possui um estatuto altivo face a uma mulher subjugada que deseja atingir o mesmo privilégio. Não sendo feminista e por não conhecer os princípios deste movimento, não me poderei alongar mais neste termo, na segurança de não incorrer em barbaridades ou opiniões pouco fundamentadas.
No entanto, não deixo de me exprimir relativamente à uniformização em vez da igualdade, isto porque o último traduz-nos num idioma de diferença que a própria aplicação do termo acredita existir. Por ter uma perspectiva, já por si igualitária, considero fundamental uma aproximação dos dois géneros num esforço consciente e conciso. É notório que formas de pensar, vestir, sentir não são muito diferentes, diria que a uniformização já existe por si, será apenas necessário uniformizar-se as formas reflexivas acerca do homem e mulher como subgéneros de um mesmo racional. Ter um pénis ou uma vagina à nascença não deveria conferir estatuto, deveria ser um acontecimento casualmente neutro. Mas acredito que à medida que “ vamos crescendo” em instrução académica, mais do que os princípios activistas, esta visão neutra e imparcial relativa ao sexo será promulgada.
Por conseguinte, só fará sentido um homem “exigir” um ideal feminino em casa, se também estiver disposto a ser cooperativo nas tarefas típicas do casal e, claro, cuidar da barriguita!