quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Futilidades


Um dia deste deparei-me com uma dúvida acerca daquilo que podemos considerar fútil. Estava num dos meus cafés filosóficos com um grande amigo e entre conversas sobre lascividade, luxos desnecessários, veio o termo “futilidade”. Segundo o dicionário de Língua Portuguesa: “qualidade do que tem pouco ou nenhum valor; carácter de quem dá muita importância ao que é insignificante ou inútil; frivolidade; bagatela; superficialidade”. Seguramente que estávamos a empregar bem o termo. Contudo o cerne da questão era discernir o que pode ser ou não considerado fútil. Inevitavelmente, temos a língua comprida e, podemos apontar como futilidade as aquisições e cuidados de pessoas que geralmente não gostamos ou até mesmo de bons amigos. Trata-se de uma palavra bonita com uma fonética gracejante, que nos dá erudição e pronto, fica-nos bem! Usámo-la frequentemente como detonador para começar a “cascar” críticas sobre alguém: “Ai….que futilidade”, “Isso é futilidade dele”, “Ui!! Não sou assim tão fútil”, “És mesmo fútil”, enfim. Mas o que me parece fundamental é ter noção que aquilo que nos é fútil não o será certamente para a pessoa que aos nossos olhos se dá ao presumível luxo. Certamente, a aquisição de um novo computador quando já se possui um, poderá aos olhos de terceiros ser considerado uma futilidade. Contudo, para quem o adquiriu poderá ser a compra mais justificável que já fizera, por ter características melhoradas ou pelo facto do outro estar a dar o berro! No final do nosso pequeno diálogo, concluímos que geralmente não usamos o termo para nos referirmos ao acervo de características pessoais que orientam à aquisição dos bens, mas antes como uma ilustração de desdém, desprezo ou de resignação acerca de actos alheios que vemos como desnecessários.

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