sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Unissexo


Tipicamente, assistimos a jogos que procuram testar diferenças entre géneros, para além das diferenças físicas existentes entre homem e mulher. É óbvio que existem dissemelhanças comportamentais, mas não devemos cultivar o gosto pelo seu agravamento. À semelhança de outras sociedades, a portuguesa caracteriza o homem como alguém mais frio, rude, determinado, seguro de si, violento, casmurro, pouco flexível; sendo que as mulheres são vistas como dóceis, originais, dedicadas, organizadas, etc. Parece-me que esta caracterização está prestes a entrar em desuso através de um processo, que me dou à liberdade de intitular, de uniformização (dos géneros).
Estas caracterizações ortodoxas, são o reflexo das profissões e actividades que tipicamente são desenvolvidas pelo homem ou mulher. Os homens são conhecidos pelos seus trabalhos forçados e por chegarem cansadíssimos a casa. Por sua vez, as mulheres são “chantageadas” pela sua labuta menos forçada, podendo desenvolver as demais tarefas domésticas. Creio que é necessário desmistificar esta visão errónea. Ser-se homem ou mulher não deve constituir estatuto ou vantagem à nascença. Mas, graças ao apelo de investigadores e fruto de uma boa formação, o “machismo” ou retrato feminino exagerado e o gosto pela diferença vão sucumbindo, verificando-se o início de uma uniformização entre géneros.
Parece-nos óbvio, banal e normal que estas conceptualizações existam desde dos primórdios, onde o homem primitivo caçava e a mulher cuidava da descendência, das peles e de outras tarefas descartadas pelo desinteresse masculino. Para descanso meu, vou constatando um factor de desenvolvimento, um padrão de uniformização que vai aniquilando diferenças estereotipadas, começando por uma educação em regime misto, roupas semelhantes, estilo de penteados idênticos, interesses comuns e mais. Não significa que os homens estejam a ficar ”panascas” ou a perder a sua masculinidade, simplesmente vão vestindo o “rosa”, despedindo-se do preconceito e da diferenciação infundamentada. Feliz por ser homem, feliz por não ter embrenhado no exagero.

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