quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Contentamento descontente


Nem sempre acordamos da melhor forma ou jeito. Mesmo sem termos tido pesadelos ou uma noite acompanhada pela insónia, simplesmente acordamos assim, estranhamente por obra do acaso. Parece que tudo está imperfeito, tudo nos chateia, incomoda. Sendo precisamente no início do dia repreensível que entramos num ciclo de agravamento do humor, onde memórias ou assuntos stressantes nos vêem à mente e ainda pioramos. É como se todos os nossos problemas se juntassem para um café, fazendo-nos lembrar daquilo que ainda temos para pagar, gastar ou da vida descontente que possamos ter, ou de outros aspectos menos satisfatórios. São aqueles dias que ocasionalmente desgostamos, acarretando com a nossa própria frieza, indiferença de um estado letárgico. Pois é, todos temos desses dias que ocorrem cerca de 2 a 3 vezes por ano (para mim). Hoje é um desses dias “especiais”. Dada a sua frequência anual, resolvi aproveitar e escrever sobre isto e não me parece estar a correr muito bem (ora aí está o sentimento de agravamento). Parece que ninguém ou nada nos pode tirar do sentimento consternante, apenas nós nos satisfazemos egoisticamente com pensamentos menos graves. Macabramente adianto adorar estes dias por sentir também um misto de ironia e sarcasmo próprio em que todas as variáveis, “se isto…..se aquilo”, começam a questionar-me como seria se determinado evento se tivesse realizado ou se não tivesse ficado pelo planeamento ou mera possibilidade. A minha última variável ou devo considerar hipótese? Foi questionar-me acerca do que estaria precisamente a fazer se me tivesse saído mais um número no euromilhões. Bem, provavelmente estaria a escolher um apartamento na zona de Braga para dar algum aceleramento na minha integridade relacional (parâmetro vital). Mas não foi desta, terei de esperar pelo próximo sorteio de sexta (vejamos como o sentido de humor perdura apesar da frustração incontestável). Este tipo de raciocínio e muitos outros “se” levam-nos a concluir uma conjectura que há muito partilho comigo: a vida não é mais do que um conjunto vasto de probabilidades. Tudo o que fazemos ou dizemos tem repercussões próprias, por isso, dependendo das nossas acções (numa instância inicial) o produto desta “equação consequencial” poderá ser distinto. Apesar deste sofrimento todo durante grande parte do dia, tiramos outra conclusão de relevo considerável que nos faz sair do estado de embotamento emocional que, apesar de tudo, poderia ser pior. É neste momento que pensamos noutros “se” de conotação negativista e nos apercebemos da vida pacata que temos.

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