segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Baptismo


Este fim de semana fui convidada para o baptizado da afilhada do meu namorado.
Eu também fui baptizada, fiz a primeira comunhão e fui educada como católica. Desisti da catequese antes de fazer a segunda comunhão, por achar que era uma perda de tempo - e de facto era! Lembro-me de ouvir algumas histórias sobre Jesus Cristo nos primeiros anos e de completar em coro "Je...sus!", e mais tarde só me lembro de ficar a conversar com os meus colegas porque os catequistas não tinham nada para nos ensinar. Com os anos fui-me desligando da Igreja Católica, conforme me fui apercebendo de algumas incongruências e hipocrisias da instituição e das pessoas que a seguem. Mas não vou divagar relativamente a isso agora... Voltando ao Baptizado (mas continuando a questão da hipocrisia)! Ao longo de todo o ritual (acho que lhe posso chamar ritual) fui-me perguntando porque razão os pais insistiram em baptizar a criança, quando se notava perfeitamente que não levam a sério a religião em questão e os ditos rituais (incluindo o de frequentar a Igreja semanalmente) . A mãe da baptizada e a respectiva madrinha repetiam aborrecidas "vamos ter que assistir à missa toda!"; o meu namorado, agnóstico assumido, prometeu perante o padre (tal como os restantes) educar a criança segundo os valores católicos... Até mesmo eu (!) - dei por mim a repetir todas aquelas orações e deixas que aprendi a repetir mecanicamente ao longo dos anos, sem sequer pensar no que estava a dizer. E o mesmo se repete em tantas outras famílias, completamente desligadas e descrentes dos ensinamentos católicos, que insistem em levar a cabo os sacramentos desta religião, maioritária no nosso país, só porque toda gente o faz! Toda gente casa, toda gente usa um vestido bonito para entrar na Igreja, toda gente baptiza os filhos (também com vestidos bonitos), etc, etc...então porque é que eles não o hão-de fazer?! E depois quem lhe daria a prenda na Páscoa?? Segundo apurei no site da Igreja do Campo Grande,

"O Baptismo é o sacramento pelo qual os indivíduos se tornam membros do Corpo de Cristo que é a Igreja.

É o banho da regeneração dos filhos de Deus, que liberta de toda a culpa;

É o sacramento da fé, da adesão incondicional à pessoa de Cristo;

É o sacramento do testemunho que compromete no anúncio do Evangelho pela vida e pela palavra oportuna;

É o sacramento da comunidade de fé, de esperança e de serviço."

A questão é se esta grande maioria de falsos católicos pára para pensar se de facto acredita no compromisso que vão assumir e na(s) promessa(s) que vão fazer perante o padre e, supostamente, perante Deus; e mais importante, se realmente vale a pena impor uma religião a uma pessoa que ainda não tem poder de decisão! Em famílias fervorosamente católicas (como a minha) levanta-se ainda a questão do receio de enfrentar a família. Confesso que se um dia tiver filhos, vai ser complicado explicar à minha avó que não os vou baptizar...mesmo assim, acho que não justifica a hipocrisia a que muitas pessoas continuam a submeter-se e até mesmo o desrespeito para com aqueles que acreditam e encaram estes rituais/sacramentos com seriedade.

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